Foi-se o tempo em que o “médico da família” era uma figura comum. Daqueles que sabem o nome e o histórico clínico dos membros do clã e são sempre chamados quando há enfermidades. Uma iniciativa para reaproximar o atendimento médico à realidade dos pacientes é a criação das Clínicas da Família, inauguradas em diferentes pontos do DF desde o ano passado. Existem nove atualmente, sendo uma em Águas Claras (Areal), uma em Recanto das Emas, duas em Sobradinho e cinco em Samambaia.
Tratam-se de centros especializados em atendimento primário, o que envolve acompanhamento pré-natal e gestatório de baixo risco, conscientização para vacinação e prevenção de doenças, exames de sangue, odontológicos e assistência ginecológica, entre outros.
“O atendimento primário resolve quase 80% dos problemas da população”, afirma a gerente da Clínica da Família do Recanto das Emas, Daise Alves de Melo. “Às vezes, o paciente tem uma alergia simples, mas não quer esperar para marcar consulta e acaba indo parar na emergência, onde pode esperar por horas sentado, sem necessidade. Isso ajuda a lotar o hospital”, conta.
Agilidade
O trabalho das equipes de todas as clínicas desse tipo no DF, a princípio, é de conscientização. A população deve ter em mente que, se morar próxima, pode procurar atendimento nesses centros. Se o problema não envolver ferimentos ou situação urgente, pode ser resolvido com agilidade. Um exemplo disso é o da empresária Marta Machado, 50. Ela frequenta a Clínica da Família próxima à sua casa, em Samambaia, e aprova a iniciativa. “Sou melhor atendida aqui do que em hospital particular”, comenta. “Moro nessa cidade há dez anos e antes eu tinha que procurar o posto de saúde de Taguatinga”, diz.