Internada no Hospital de Base, Beatriz Azevedo Passos sofre de uma doença rara conhecida como Síndrome de Angelman, que vem se agravando nos últimos meses com o desenvolvimento de epilepsia. Segundo a família da jovem, o quadro já dura quatro meses e poderia ser tratado, amenizando as crises de convulsões, com remédios importados – indisponíveis na rede pública. Para piorar, a menina de 16 anos e 87 quilos perdeu uma colega de quarto e aguarda o resultado para saber se, assim como a outra paciente, foi contaminada pela bactéria KPC.
A mãe de Beatriz, Leidemar Au rora de Azevedo, conta que a medicação que diminuiria os efeitos das convulsões, Keppra e Levetiracetam, é importada da França. Mas, por não serem regulados pela Secretaria de Saúde, os remédios não podem ser comprados. “Na segunda-feira que vem, entrarei com um pedido no Ministério Público do Distrito Federal (MPDF) ou na Defensoria Pública da União (DPU) para acelerar a compra do remédio, que custa em média R$ 710”, declara Leidemar, que tem outros três filhos. Ela diz que apenas o marido, que é vigilante, trabalha e não consegue arcar com todo o tratamento.
Falta tudo
A mãe afirma que os médicos que atendem a menina são muito bons, mas que eles não têm condições de trabalho nem material para desenvolver o trabalho de forma adequada. “Aqui as fraldas para ela não cabem, por isso conto com doações e a ajuda das pessoas. Também não tem o laxante, que não temos condições de ficar comprando. Beatriz está também com essa dificuldade”, conta Leidemar.
A adolescente está em isolamento no Hospital de Base devido à suspeita de infecção por conta da bactéria KPC. A contaminação ocorre por meio do contato com outros pacientes infectados ou pelo ambiente associado à baixa imunidade dos pacientes internados. A colega de quarto, segundo a família, morreu em decorrência do contágio no próprio Hospital de Base.