Menu
Brasília

Saúde no DF: visitas suspensas e Hospital de Base sem água quente

Arquivo Geral

10/08/2017 8h13

Kléber Lima/Jornal de Brasília

Amanda Karolyne e Raphaella Sconetto
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Nem vigilância, nem banho quente. Os dois problemas são uma amostra do panorama atual da saúde pública do DF. As visitas a pacientes estão prejudicadas em vários hospitais por conta da falta de efetivo nas portarias. Somado a isso, o Hospital de Base sofre com novas falhas nas caldeiras, o que obriga muitos internados a tomar banhos de água fria.

Com descaso no atendimento e serviços básicos parados, a greve dos vigilantes entra no terceiro dia hoje. Segundo a Secretaria de Saúde, o pagamento dos R$ 25 milhões às três empresas que prestam o serviço ocorrerá até amanhã.

Na tarde de ontem, sindicalistas se reuniram com o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, e a direção do BRB para entrar em um acordo. O presidente do Sindicato dos Vigilantes, Paulo Quadros, afirmou que uma linha de crédito para antecipação dos pagamentos foi feita. Os trabalhadores vão receber a partir do meio-dia de hoje. “Mas, até lá, vamos continuar em greve. Só paramos quando o salário entrar na conta”, destaca.

Sem os vigilantes, os horários de acesso dos familiares foram alterados e os hospitais estão com as portas das emergências fechadas por medida de segurança. Assim como as visitas, a troca de acompanhantes nos hospitais de Taguatinga e de Samambaia foi suspensa.

Versão oficial

  • A Secretaria de Saúde informou, em nota, que houve uma paralisação pontual no abastecimento das caldeiras do Hospital de Base, devido a problemas no repasse para a empresa que realiza o serviço. Ainda segundo a pasta, o fornecimento de água quente foi normalizado na manhã ontem. O problema se repetiu também no Hospital Regional de Taguatinga, mas, segundo a Saúde, também foi resolvido ontem.
  • Questionados se a pasta estuda alguma alternativa além das caldeiras para esquentar a água, a Secretaria de Saúde informou que o Hospital de Ceilândia utiliza energia elétrica e o de Santa Maria funciona com sistema a gás. “Porém, atualmente, o melhor custo-benefício é o uso de caldeiras a gás, com apoio de energia alternativa, como a solar. A Secretaria de Saúde já iniciou estudos para a substituição de todas as caldeiras a óleo por caldeiras a gás e com tecnologia de energia solar. Porém, é projeto a longo prazo”, alega o texto.

Sufoco

Com a mãe de 90 anos internada no Hospital de Taguatinga, a cabeleireira Maria da Glória Nunes, 59, foi surpreendida ao ser informada de que não poderia trocar de turno com a irmã. “Não tem como entrar, e minha irmã estava acompanhando minha mãe desde ontem”, conta. A situação do hospital é caótica, segundo Maria. Ela comenta que, além da falta dos vigilantes, os pacientes estão sem água.

Por prejudicar a segurança dos funcionários e médicos, o atendimento está escasso. Na mesma unidade, Aline de Jesus da Silva, 26 anos, levou a mãe Rosa Maria dos Santos, 48 anos, que estava sentindo febre e sem ar, mas foi informada de que só é atendido quem está em situação de vida ou morte.

As empresas também mantêm vigilantes terceirizados nas escolas. Um vigilante de um dos colégios, que não quis se identificar, comenta que aderiu à greve porque não recebe o salário em dia há mais de sete meses. “O governo diz que está sem dinheiro para pagar, e as empresas também”, destaca. “As empresas não podem usar os trabalhadores como barganha, deveriam ter fundo para pagar quem faz o serviço”, cobra.
Banho de água fria vira penitência

Quanto às caldeiras do Hospital de Base, a Secretaria de Saúde garante que são ocorrências pontuais e já resolvidas. No entanto, quem vê de perto a realidade dos internados alega que a água fria é recorrente ali.

O marido da cuidadora Célia Roméria Correia, 42 anos, está internado no Hospital de Base desde o dia 2 deste mês, aguardando uma cirurgia no coração. “Desde que entrou, ele está tomando banho de água fria”, conta. O medo de Célia é que ele possa ficar mais doente por conta das baixas temperaturas. “Aqui dentro do hospital já é frio, ainda tem que tomar banho com a água que sai congelante. Ele pode pegar uma gripe ou pneumonia”, pressupõe a cuidadora.

O aposentado Carlos Alberto Machado, 60 anos, está com o padastro internado depois de ter passado por um transplante de rim. Segundo relatos do homem, a água está fria há mais duas semanas. “Ele comenta comigo que está sempre fria, que não esquenta de jeito nenhum”, detalha Machado.

A situação se repete com o esposo de Márcia Silva, 42 anos, internado há dois meses. “Quando ele estava no pronto-socorro, a água era fria o dia todo. Aí em cima do PS parece que só tem água quente de manhã”, relata.

Pneumonia

O caso do tio da estudante Keisy Stella da Silva, 19, é ainda mais complicado. Ele está internado há 15 dias com cirrose e nesse tempo contraiu a pneumonia. “Pelo visto, ele pegou aqui dentro do hospital”, conta. “Meu tio reclamou da água na sexta passada, e no sábado, quando fui dar banho, eu vi que estava fria. Mas, que eu saiba, foram esses dias. Talvez seja porque ele está no último andar, que só têm pessoas em estado terminal, e eles devem dar uma atenção maior lá”, aponta a estudante.

Os pacientes não encontram muitas alternativas para driblar a água fria: ou tomam banho gelado ou levam um mergulhão – tipo de aquecedor – e baldes. “Meu padrasto toma banho na água fria e corre para se cobrir”, diz o aposentado Carlos Alberto.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado