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Brasília

Saúde mental exige cuidado durante todo o ano, alerta campanha do Setembro Amarelo

Distrito Federal reforça rede de atendimento e programas voltados a estudantes, profissionais de saúde e população em geral

Redação Jornal de Brasília

09/09/2025 18h04

Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

O Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, reforça a necessidade de atenção à saúde mental em todos os dias do ano. Em vez de criar uma campanha própria, o governo do Distrito Federal tem concentrado esforços em fortalecer os serviços disponíveis e informar a população sobre onde buscar ajuda.

Segundo Fernanda Falcomer, subsecretária de Saúde Mental da Secretaria de Saúde (SES-DF), o sofrimento emocional ainda é tratado de forma estereotipada, mas deve ser visto como uma questão de saúde.
“Todos terão momentos de oscilação, mas se isso passa a afetar o sono, o trabalho, os estudos ou as relações, é hora de procurar ajuda”, explica. “Precisamos reforçar que é um problema de saúde, como qualquer outro.”

Primeiros atendimentos na rede pública

As 175 unidades básicas de saúde (UBSs) são a porta de entrada para pessoas em sofrimento emocional.
“Qualquer pessoa pode procurar a equipe de Saúde da Família e relatar alterações de sono ou aspectos emocionais. O médico avalia o grau de sofrimento e faz o encaminhamento adequado”, detalha Fernanda.

Além de consultas médicas, as UBSs oferecem práticas integrativas em saúde (PIS), como acupuntura, meditação, yoga, reiki e outras técnicas que ajudam a reduzir o estresse e promover bem-estar.

Nos casos de sofrimento persistente, o atendimento passa a ser realizado nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que funcionam em regime de porta aberta, sem necessidade de encaminhamento. Atualmente, o DF conta com 18 unidades, com equipes multiprofissionais formadas por psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e outros profissionais.
“Os Caps trabalham a reabilitação psicossocial para que o usuário possa retomar a vida em comunidade”, afirma Fernanda.

Crises agudas ou emergências devem ser atendidas pelo Samu, UPAs ou hospitais. “Nesses momentos, o atendimento imediato é fundamental”, reforça a subsecretária.

Saúde mental nas escolas

Crianças e adolescentes também enfrentam desafios emocionais. Para apoiá-los, a Secretaria de Educação (SEEDF) mantém o Programa de Saúde Mental dos Estudantes (PSME) durante todo o ano.

As ações incluem rodas de conversa sobre ansiedade, depressão, violência de gênero e habilidades socioemocionais.
“Se os temas não forem próximos da realidade dos alunos, o engajamento é baixo. Por isso, eles têm liberdade para sugerir os assuntos que querem discutir”, explica Larisse Cavalcante, diretora de Atendimento e Apoio à Saúde do Estudante.

Entre os projetos em andamento estão:

  • Ciranda do Coração, para crianças da educação infantil e séries iniciais do fundamental;
  • Acolhendo Corações Jovens, voltado a alunos do fundamental II e ensino médio;
  • Prevenção ao Uso de Dispositivos Eletrônicos para Fumar, direcionado ao ensino médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA);
  • Caminhos para uma Escola Promotora de Bem Viver, para suporte a alunos em sofrimento emocional.

Segundo Larisse, essas iniciativas ajudam a reduzir o bullying e a tornar a escola um ambiente mais acolhedor.
“O cuidado acontece durante todo o ano, garantindo que setembro não seja o único momento em que se fala sobre saúde mental”, destaca.

Apoio aos profissionais de saúde

No Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF), a atenção também se volta aos profissionais que atendem a população. O Programa Acolher oferece suporte físico e emocional aos colaboradores.

Nesta semana, foi lançada a campanha Setembro mais que Amarelo – Todas as Cores, com foco no bem-estar dos trabalhadores.
“Quando o colaborador é cuidado, ele também consegue transferir esse cuidado ao paciente”, afirma Paula Paiva, chefe do Núcleo de Qualidade de Vida no Trabalho do IgesDF.
Ela reforça que a ação não se limita a setembro: “É preciso se cuidar o ano todo, como colocar primeiro a máscara de oxigênio em si mesmo antes de ajudar quem está ao lado”.

O fortalecimento da rede pública, aliado à conscientização em escolas e no ambiente de trabalho, busca garantir que o cuidado com a saúde mental esteja presente nos 365 dias do ano, não apenas durante o Setembro Amarelo.

Com informações da Agência Brasília

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