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Brasília

Saúde do DF sai da emergência, mas respira por aparelhos

Arquivo Geral

25/07/2017 6h30

Foto: Kleber Lima

Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

No mesmo dia em que o DF saiu do estado de emergência na Saúde, o Hospital de Base anunciou a suspensão de exames de raios X. A situação é apenas uma amostra de todos os desafios que a secretaria ainda precisa enfrentar para melhorar o sistema público, carente de estrutura básica em diversas unidades.

Conforme a Secretaria de Saúde (SES), o problema no Base se deve à “falta de sinal na rede”, inviabilizando a revelação das imagens produzidas pelo aparelho e, consequentemente, esse tipo de atendimento. A promessa da pasta é de “restabelecer o acesso à rede o quanto antes”, mesmo discurso adotado pelo governo em qualquer situação parecida.

Para tentar resolver os gargalos similares, ou ao menos começar, o SES assinou uma portaria conjunta com a Novacap, na última quinta-feira, para usar quase R$ 8 milhões do Fundo de Saúde. O intuito é garantir manutenção para ar- condicionado dos hospitais regionais de Sobradinho, Santa Maria, Gama e Guará, e das câmaras frias da rede de saúde.

“O critério dessa vez foram as unidades com maior impacto na rede e aquelas sem contrato de manutenção vigente”, justifica o secretário-adjunto de Gestão, Ismael Alexandrino. Segundo ele, a portaria surgiu apenas agora por questões burocráticas, mas fazem parte da tentativa do Governo de Brasília de cobrir todo o sistema público do DF. “É uma ação preventiva e corretiva”, resume.

Um breve tão longo

O problema de falta de ar-condicionado no Hospital Regional do Guará (HRGu) persiste há pelo menos um ano, segundo relata a recepcionista Laene Paiva, 36 anos. Ela frequenta uma terapia em grupo no auditório da unidade e reclama do calor em épocas mais quentes. Segundo a mulher, ao reclamar sobre o assunto para a direção, ouviu um familiar “será consertado o quanto antes”.

“Isso atrapalha o que a gente está fazendo, porque às vezes exige concentração para pensar nas próprias emoções”, conta Laene. Seu colega de terapia, Matheus Pereira, auxiliar administrativo de 18 anos, tem queixas parecidas. “Nosso horário costuma ser entre 14h e 15, então o sol batendo castiga bastante a gente”, complementa o rapaz. Ele e a colega dizem que nunca viram uma equipe de manutenção no local e nenhum indicativo concreto para solucionar a questão.

Atendimento requer estrutura
A dona de casa Prisciane Gadelha, 22, lidou com a falta de ar-condicionado quando estava grávida e seguiu tendo problemas depois de dar à luz. Com seu filho de um ano, já teve de aguardar em salas sem ventilação alguma no Centro de Saúde ao lado do HRGu. “Eu gosto do atendimento daqui. Quando a gente precisa eles nos encaixam, mas é necessário ter uma estrutura melhor por trás”, pondera.

O secretário-adjunto de Gestão da SES, Ismael Alexandrino, adota um discurso otimista. “Pode escapar uma ou outra unidade, mas a ideia é que, com esse contrato de manutenção, toda a rede esteja coberta preventivamente”, discursa.

A portaria em questão prevê R$ 7,9 milhões para o processo licitatório a ser conduzido pela Novacap. A medida faz parte do programa de descentralização do crédito, adotado pelo Governo de Brasília, e depende da publicação do edital e do andamento do certame para ser concretizado. Portanto, a pasta prefere não falar em prazos.

Na mesma edição do Diário Oficial, na última quinta-feira, a Saúde publicou outra portaria conjunta com a Novacap que prevê investimento de R$ 1,5 milhão em manutenção de elevadores. As unidades contempladas serão o Hospital Regional de Planaltina, de Sobradinho e a Fundação Hemocentro do Distrito Federal.

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