Ana Ferreira
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Você sabe como anda a alimentação dos adolescentes brasileiros? Na manhã desta quinta-feira (7), o ministro da Saúde, Ricardo Barros, divulgou no auditório Emílio Ribas, do Ministério da Saúde, a pesquisa com foco no hábito alimentar deste público. Também foram apresentados dados de 2015 da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) e novas ações para promover a qualidade de vida da população.
A pesquisa integra o primeiro Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA) e foi uma parceria da pasta com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foram avaliadas informações de mais de 70 mil jovens, em 1.247 escolas, de 124 municípios do País. O objetivo do estudo é estimar a prevalência do diabetes, obesidade e fatores de risco cardiovascular em adolescentes de 12 a 17 anos.
Os resultados obtidos com o estudo refletem uma população jovem adoecida no quesito hábitos alimentares. A pesquisa mostrou que o refrigerante é o sexto alimento mais consumido pelos adolescentes de 12 a 17 anos e que 56,6% dos jovens brasileiros, com a mesma idade, fazem as refeições “sempre ou quase sempre” em frente à TV.
Apesar da dieta dos adolescentes ser caracterizada pela ingestão de alimentos tradicionais como o arroz e feijão, o alto consumo de bebidas açucaradas como os sucos de caixinha e os refrigerantes e a ingestão elevada de alimentos como salgados fritos/assados e biscoitos destoam do que seria a alimentação correta. Este é o retrato da péssima alimentação realizada pelos adolescentes. Esse padrão associa-se à ausência da ingestão de cálcio, vitaminas A e E e ao consumo excessivo de açúcar e sódio. A pesquisa apontou que mais de 80% dos jovens consomem sódio acima dos limites máximos recomendados (5 gramas por dia).
As frutas e hortaliças não aparecem na lista de alimentos consumidos pelos adolescentes entre 14 e 17 anos. De acordo com o estudo a região Nordeste é a que menos consome estes alimentos. No Sul, a superioridade do consumo de refrigerante é mais frequente e as regiões Sudeste e Centro-Oeste são as que mais consomem feijão e leguminosas.
Além do hábito de comer em frente a televisão, a ausência de refeições também interfere na qualidade alimentar. Menos da metade dos entrevistados afirmaram que tomam o café da manhã. A pesquisa revelou também que a alimentação em família é um aspecto que influencia a promoção de comportamentos alimentares saudáveis.
Obesidade e Sobrepeso
Por conta da má alimentação, o estudo apontou que 17,1% dos adolescentes avaliados estão com sobrepeso e 8,4% são obesos. Os meninos são os que apresentam maior índice da obesidade e a região Sul é a que concentra maior parte dos adolescentes que sofrem da anomalia.
“Pela primeira vez temos uma geração com menor expectativa de vida do que os seus pais. Justamente por conta dos fatores de risco de obesidade, tabagismo, sedentarismo e alcoolismo. Por isso é fundamental a promoção e melhoria dos hábitos da população”, alertou Ricardo Barros.
Em relação aos adultos o percentual foi de 18,9% para a obesidade. As mulheres predominam nesse quesito. Segundo a pesquisa com o aumento da idade o excesso de peso tende a surgir de forma mais rápida. Foi verificado também que 53,9% dos adultos estão acima do peso nas capitais.
Alimentação adulta
Quando avaliado o consumo de feijão, mais de 60% dos brasileiros afirmaram que comem o alimento cinco ou mais dias da semana. Já o consumo de carnes com excesso de gordura esta presente nas refeições de 31,1% dos adultos. Em relação ao consumo de frutas e hortaliças, 30% da população adulta costuma se alimentar do produto e, sobre o doce, 20,1% dos adultos consomem a especiaria , sendo que as mulheres são a maioria.
Ações preventivas
O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que assinará portaria que traz as diretrizes para promoção da alimentação saudável nas unidades da pasta em todo o país. Segundo Ricardo a proposta é estender essas regras aos demais órgãos e entidades da administração direta federal. O ministro registrou também que apresentará proposta para mudança legislativa a ser aplicada às escolas públicas e privadas.
“Vamos ensinar as crianças à ter hábitos saudáveis para que elas levem essa informação para dentro de suas casas e que ao longo da vida elas criem o hábito de ‘descascar’ e não ‘desembalar”, destacou. “As refeições pagas com recursos da pasta devem seguir o protocolo de Alimentação Saudável”, pondera o ministro.
De acordo com o texto do estudo, pacientes com comportamento de risco, como obesidade, sedentarismo, alcoolismo e tabagismo, são o grande desafio da saúde no Brasil.
“É preciso investir em saúde preventiva. É melhor para a população e onera menos o orçamento do SUS”, ressaltou Ricardo Barros. “Precisamos aumentar a prática de atividades físicas na rotina da população brasileira. Atuar firmemente na promoção da saúde e na alimentação saudável pois ela é uma base importante para que as pessoas não precisem recorrer a tratamentos aditivos”, disse.
A pesquisa demonstra claramente como será nosso futuro se não tomarmos as medidas necessários para reverter essa questão alimentar. Temos um papel preponderante na formação de opinião para que os hábitos sejam modificados, concluiu o ministro.