Augusto Dauster
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No Distrito Federal faltam profissionais preparados para trabalhar com a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Apesar do decreto presidencial N° 5.626 determinar a inclusão do tema como matéria obrigatória nos currículos de todos os cursos de licenciatura e fonoaudiologia, na prática, poucas instituições cumprem a legislação. A justificativa apresentada é a de que, com o baixo número de professores de Libras no mercado, a legislação se torna impraticável.
De acordo com o Coordenador de Cursos e de Intérpretes da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos do Distrito Federal (Apada-DF), Marcos Brito, apenas duas instituições de ensino superior do DF oferecem o ensino de Libras da forma correta, são estas, a Universidade Católica de Brasília (UCB) e o Centro Universitário IESB, que fornecem o ensino prático, ministrado por surdos junto com a parte teórica, que visa apresentar este universo aos alunos.
“Eles colocam um curso de 40h, com uma super cópia e cola da internet, apenas para cumprir a lei”, afirmou Brito com relação ao ensino de Libras em universidades, de modo geral. A Universidade de Brasília (UnB), por exemplo, não possui a disciplina como matéria obrigatória no currículo de nenhum de seus cursos. O motivo, explica a professora do Instituto de Linguística, Português e Línguas Clássicas (LIP), Enilde Faulstich, é exatamente a falta de profissionais aptos para o ensino. Um professor para prestar concurso da UnB necessita ter pós-graduação e, segundo ela, é complicado encontrar profissionais com esse perfil.
Apesar da disciplina não constar como obrigatória na UnB, ela é oferecida como optativa para todos os cursos. A estudante do 2° semestre de Letras Português do Brasil como Segunda Língua, Bruna Chacon, explica que a procura pela disciplina é muito grande e, por conta da baixa oferta, é difícil consegui-la. “O meu curso é voltado para essa área, na qual se ensina o português como uma segunda língua para pessoas surdas, por isso é essencial para a minha formação o aprendizado de Libras” explicou a estudante que se posiciona a favor da obrigatoriedade da disciplina em seu currículo.
De acordo com Faulstich, para tornar a disciplina obrigatória na UnB seria necessária a abertura de concurso para ao menos mais sete profissionais. Hoje a UnB conta com dois professores surdos, que fornecem o ensino da língua de sinais e possui previsão de contratação de mais um para este ano.
Quanto à solução para o problema do déficit de profissionais aptos para dar aula de Libras, Brito acredita que a solução precise vir da base. Segundo o especialista, é necessário um curso de ao menos 120h para entender o que é a surdez, compreender a forma de comunicação do surdo e se comunicar com ele. Brito acredita que na esfera federal vem crescendo o investimento, mas ainda falta conhecimento sobre o assunto. “Em alguns setores do governo, existe o interesse, mas o problema é que a maioria das pessoas desconhece o assunto”, concluiu.
Saiba +
Nesta segunda-feira (13) foram abertas as inscrições para o curso de Libras, que será realizado pelo Instituto Brasília Ambiental e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal (Ibram), em parceria com o Instituto Cultural, Educacional e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência (Icep) e o Jardim Botânico.
O curso é gratuito e será realizado no Centro de Visitantes do Jardim Botânico, entre os dias 10 abril e 25 de maio. A carga horária do curso será de 60h e as inscrições serão feitas pelo e-mail ed.ambientaljbb@gmail.com, mediante o envio de dados pessoais e contatos. Para mais informações, entrar em contato pelos telefones 3366-1438 e 9618-2630.