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Brasília

Sanoli presta serviço ao GDF até 17 de dezembro, diz secretário

SES-DF avança em negociações para contratar uma ou mais empresas para cuidarem dos hospitais. Enquanto isso, funcionários de cozinha cobram dois meses sem salário

Marcus Eduardo Pereira

11/11/2020 19h33

Pedro Marra e Willian Matos
redacao@grupojbr.com

A Sanoli – empresa que fornece alimentação hospitalar aos hospitais do Governo do Distrito Federal (GDF) – vai prestar serviço até 17 de dezembro de 2020. A companhia, embora tenha rompido contrato com a pasta no último dia 18 de outubro, opera em acordo feito com a Secretaria de Saúde.

O secretário adjunto de Gestão à SES-DF, Bruno Tempesta, confirmou a informação ao Jornal de Brasília. Segundo ele, a Sanoli ainda fornece alimentação em cinco lotes (hospitais) contratuais da pasta.

“Ela venceu no pregão 01 de 2018. No começo de outubro (02/10), externou a vontade de não renovar o contrato com a SES-DF. Tendo em vista que é um serviço essencial para a população o serviço de alimentação, demandamos um certo prazo para contratar a empresa substituta. Por ordem judicial, foi determinado que a Sanoli continue fornecendo o serviço de alimentação até o dia 17 de dezembro”, afirma Tempesta.

De acordo com ele, as empresas remanescentes do último pregão têm interesse de assumir os lotes da empresa.

“Algumas foram habilitadas e outras declinaram, mas o processo de substituição está bem avançado. Estamos na fase pré-final de contratação. Vamos cumprir o prazo fixado pela ordem judicial, e tão logo finalizamos a contratação das empresas que irão assumir os lotes. Pode ser que seja uma ou mais empresas”, esclarece.

“A gestão da SES-DF está fazendo com a maior celeridade possível, mas com muita responsabilidade. Contudo, seguimos o rito da lei. Estamos pagando em dia a Sanoli. Lamentamos a situação que eles estão passando, mas sentimos muito por eles (funcionários).”

Ao JBr, o secretário de Saúde, Osnei Okumoto, comentou sobre o processo de contratação. “A gente está negociando ainda. Temos uma licitação aberta, e temos as segundas colocadas (empresas) para aderirem a vaga da Sanoli”, declara a autoridade.

O deputado distrital Chico Vigilante (PT) adiantou que conversou ontem de manhã com Okumoto, que indicou a contratação de uma nova companhia da área na primeira quinzena do próximo mês.

“Me garantiram a contratação, no máximo, até 15 de dezembro. Ele me disse que está em conversas avançadas. É uma empresa de São Paulo, mas estão por acertar o contrato”, assegura o parlamentar.

“Mas acho que é um alívio para os trabalhadores, e vou arranjar um bom advogado trabalhista para que eles possam adquirir os seus direitos. Boa parte são mães solteiras nessa situação”, comenta Vigilante.

Greve por falta de pagamento
Diante dessa indecisão, os funcionários de cozinha da Sanoli estão de greve geral desde a última terça-feira por não receberem salário há dois meses. Neste momento, as cozinhas dos hospitais regionais de Ceilândia (HRC), Asa Norte (Hran), Samambaia (HRSam) e do Gama (HRG) estão sem a presença dos funcionários.

“Os cozinheiros todos cruzaram os braços. Tiveram de colocar os [funcionários] operacionais, que recolhem o lixo, para fazer a comida. Eles estão trabalhando no corredor entregando comida para os pacientes, mas eles não entendem de dieta. Eles sabem recolher o lixo, agora fazer comida não”, afirmou ao JBr uma funcionária do Hospital Regional da Asa Norte.

Segunda uma copeira do HRC, o café da manhã da unidade foi entregue às 11h30 de terça-feira (10) a pacientes e acompanhantes, sendo o horário limite é 8h.

“Tanto que a acompanhante do pronto-socorro não recebeu o café da manhã. Tem muitos idosos e acompanhantes que não receberam comida. E não tinha água para beber no corredor porque quem repõe as águas somos nós copeiras”, acrescenta.

“Não é justo a gente continuar trabalhando o mês todo, e chegar no 5º dia útil e não receber. Estamos com duas mensalidades atrasadas. A Sanoli diz que não tem como tirar dinheiro. A gente sente muito pelos pacientes, e aqui tem muita mãe solteira. Eu tenho quatro filhos, e trouxe os quatro para tomar café da manhã. A gente quer que a Sanoli dê uma resposta para a gente”, disse a mulher.

O diretor da Sanoli, José Carlos Castilho, confirma a greve e alega que a Secretaria de Saúde não cumpriu um acordo firmado judicialmente. Segundo Castilho, a pasta teria de ter pago a empresa na última sexta-feira (6). Até então, o pagamento não foi realizado.

Por e-mail, a SES-DF informou que não há atraso nos pagamentos à Sanoli. “A nota fiscal dos serviços prestados em outubro, entregue no início de novembro, pode ser paga no prazo de até 30 dias de acordo com o contrato firmado com a empresa. A SES tem pago com a maior brevidade e celeridade possível, antes mesmo do prazo contratual.”

“Ao mesmo tempo, a Secretaria lembra que a não prestação dos serviços representa descumprimento de contrato e desrespeito a decisão judicial, ficando a Sanoli sujeita a multa e a suspensão de pagamentos”, finaliza a nota.

 

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