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Brasília

Samu faz reanimação manual por falta de equipamentos adequados

Arquivo Geral

28/02/2012 7h00

Kamila Farias
kamila.farias@jornaldebrasilia.com.br

Não bastassem os problemas nas redes pública e privada de saúde, o brasiliense também encontra dificuldade no atendimento de emergência realizado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Quem tiver algum problema cardíaco pode ter a situação ainda mais complicada devido à falta dos massageadores automáticos e das limitações dos desfibriladores.

São 31 ambulâncias e dez veículos de intervenção rápida que  estão sem o equipamento massageador. O último deixou de funcionar há seis meses por falta de bateria, segundo afirma o gerente do Samu, Rodrigo Caselli. “Os massageadores estão parados por falta de contrato de manutenção desde dezembro de 2010. Tudo devido à burocracia do serviço público”, diz.

Para suprir a falta dos massageadores, os médicos têm recorrido à reanimação manual. “Dessa maneira, ocupamos um profissional que poderia estar prestando outro socorro”, afirma o gerente do Samu.
Os desfibriladores do órgão também estão no limite por falta de pilhas de lítio. O caso se torna ainda mais grave devido ao número de atendimentos por mês que o Samu faz a pacientes com problemas no coração, uma média de 60. Para que os pacientes não corram maiores riscos, o Samu realiza um rodízio de peças emprestadas pelos bombeiros ou retiradas de outros equipamentos.

“Esses equipamentos não estão parados graças aos improvisos que  fazemos, pois ele é essencial e não pode faltar. Mas estamos no limite”, afirma  Caselli. O pedido de licitação para manutenção dos massageadores já foi feito há um ano e meio, mas ainda não houve retorno.

Processo

 Ele ainda afirma que o processo para a compra das pilhas de lítio dos desfibriladores está correndo há dez meses. “O pedido foi feito com um tempo muito bom de antecedência. Foi um pedido calculado e previsto, mas até hoje nada”, declara.

O gerente afirma que cada bateria dos equipamentos de massagem custa cerca de R$ 11 mil e tem vida útil de três anos ou 400 choques. Para os desfibriladores, o conjunto de dez pilhas custa R$ 400 e a vida útil é de cerca de dois anos.

Para ele, as compras para a área da saúde deveriam ser feitas de forma mais rápida, já que são equipamentos fundamentais. “Comprar equipamento essencial para saúde não é como comprar caneta. Tem que ter uma forma de agilizar. Não dá para comprar uma medicação e só chegar  em 90 dias. Nesse período, a pessoa já morreu”, comenta Caselli. Os desfibriladores são a única opção para salvar vidas em ocorrências de fibrilação ventricular, que correspondem a cerca de 90% das paradas cardíacas. 

 
Por meio de nota, a Secretaria de Saúde se limitou a informar que “todas as ambulâncias estão equipadas com os desfibriladores. O problema foi pela falta das baterias de lítio, que abastecem esses aparelhos. Na falta de funcionamento, as massagens cardíacas são realizadas manualmente. Portanto, o atendimento continua.”

Leia mais na edição impressa desta terça-feira (28) do Jornal de Brasília.

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