As lagartas do gênero Lonomia são a espécie que mais oferece risco à saúde, já que seu veneno pode causar acidentes como queimaduras que, em casos mais graves, podem levar ao óbito. O apoio da população é essencial para o mapeamento e a coleta desse tipo de lagarta pela Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) da Secretaria de Saúde (SES-DF). Na última segunda-feira, a Vigilância Ambiental fez a coleta desse animal em uma casa no Lago Sul.
O biólogo Israel Moreira, da Diretoria de Vigilância Ambiental, explicou ao JBr que essa lagarta é a fase jovem de uma mariposa. “As borboletas e mariposas colocam os ovos e de lá surgem as lagartas, que depois se tornam pupas ou crisálidas; depois vem o adulto. Nesse caso, uma mariposa.” Ele acredita que a expansão do ambiente urbano feita pelo ser humano acaba fazendo com que, por consequência, as mariposas encontrem novos ambientes e novas plantas para colocar os ovos.
A Lonomia obliqua, nome científico dessa lagarta e da mariposa, começou a ser encontrada em ambiente urbano no DF desde 2018. “A gente acredita que já tivesse há muito tempo essa lagarta no ambiente urbano, mas por conta das pessoas acharem que é só uma lagarta de fogo, que só queima, a gente acabava não encontrando na casa das pessoas”, apontou. Segundo Israel, a Vigilância não costumava ser acionada pela comunidade, o que dificulta o mapeamento dessa espécie. A Vigilância tinha conhecimento da existência da Lonomia, mas o órgão passou a ser acionado só a partir de 2018.
Produção de soro e ecossistema
Em 2018, foi quando acionaram a Vigilância pela primeira vez para essa coleta que resultou no primeiro registro. “Mas a lagarta já existia aqui na nossa região. Por isso é importante a população não matar essas lagartas, porque ela serve para produzir o soro com o próprio veneno.” Além disso, ele destacou que esse animal presta um serviço vital para o ecossistema ao participar da reciclagem de nutrientes. “E os adultos fazem a polinização das flores.”
Como ocorrem os acidentes
De acordo com o especialista, os acidentes com lagartas desse tipo costumam ser bem característicos. As pessoas que acabam encostando no animal desenvolvem alguns sintomas típicos. “Nós chamamos de acidente esse contato acidental do animal com o ser humano. Então, no caso de escorpião, quando leva uma picada também é um acidente, ou então um acidente com uma serpente”, exemplificou. Ele citou ainda casos em que as pessoas encostam em uma árvore e não observam se ali havia uma lagarta. “A gente acaba pressionando esse animal com a mão ou as costas e as cerdas — esses pelinhos que ela tem — é onde está o veneno. Isso acaba intoxicando a pessoa”, acrescentou.
Israel reforçou que essa é a lagarta mais perigosa do país. Além dos sintomas locais — como dor, queimação, vermelhidão, coceira e inchaço —, o quadro pode evoluir. “Além desses sintomas, essa lagarta pode levar a pessoa a ter distúrbios de coagulação, em que ocorre hemorragia, sangue na urina, hemorragia na gengiva e no nariz.” O sinal de agravamento desse quadro é quando a pessoa começa a ter dor de cabeça ou dor no abdômen.
O que fazer ao encontrar o animal
A recomendação, caso a pessoa se depare com esse tipo de lagarta, é não encostar, principalmente se ela estiver em grupo. “Esta lagarta costuma estar em colônias, formando um grupo de 50, 100 lagartas. Ela sempre fica na altura do tronco, nos galhos mais perto do chão”, descreveu.
Logo, ao encontrar uma lagarta suspeita com esse aspecto de colônia e com muitas cerdas com formato de “pinheirinho”, é importante não entrar em contato direto, registrar imagens e acionar a Vigilância pelo número 160 ou pelo Participa DF. “De maneira que a gente possa fazer uma visita, inspecionar e verificar se a lagarta realmente oferece risco e recolher, se for o caso de uma Lonomia, e enviar para o Instituto Butantan”, disse. “A gente só vai passar a ter notícia da distribuição dela pela cidade se houver uma adesão da população no sentido de informar a Vigilância Ambiental para conseguir mapear melhor as ocorrências.”
Habitat comum
Os locais em que a lagarta pode ser encontrada estão muito relacionados a quintais grandes, onde há plantas frutíferas como mangueiras e abacateiros. “Mas são lagartas que também estão presentes no cerrado, no Ipê, por exemplo.”
Neste final de abril, a Vigilância fez um recolhimento de dezenas desse tipo em uma residência no Lago Sul. Segundo Israel, nesse mesmo local ocorreu o primeiro aparecimento informado pela população. O biólogo espera que, a partir da divulgação dessa coleta realizada recentemente, as pessoas fiquem cientes de que podem procurar o órgão para que a espécie seja devidamente recolhida e levada ao Instituto Butantan.
Quem chamar caso encontre essa lagarta:
- Acione as autoridades: Não mate as lagartas. Elas são essenciais para a fabricação de soro antilonômico pelo Instituto Butantan.
Canais de atendimento (DF):
- Telefone: 160 (Disque Saúde)
- Portal Participa DF