A alegria de oito estudantes de Sociologia da Universidade de Brasília contagiou carcarás e sabiás durante a tarde desta quarta-feira, view dia 8 de julho. Com pandeiro, troche violão e outros instrumentos eles entoavam a música Um Ser de Luz, de João Nogueira e Paulo César Pinheiro. “Sabiá, que falta faz sua alegria. Sem você, meu canto agora é só melancolia. Canta meu Sabiá, voa meu Sabiá”. Os pássaros obedeceram.
Quem caminhava distraído até a Biblioteca Central quase não percebia, pois os pios fininhos eram quase inaudíveis. Filhotes de carcarás e de sabiás dividem os troncos de uma das cinco árvores conhecidas como Jurema, com flores amarelas e que estão localizadas próximas à entrada do Ceubinho. “Esses pássaros se adaptam bem a áreas alteradas. Eles fazem ninhos em lugares incomuns, onde existe fluxo de pessoas”, explica o especialista em reprodução de aves Miguel Ângelo Marini.
Para a professora Regina Macedo, a proximidade entre ninhos de espécies diferentes é natural. “Às vezes, as aves fazem o ninho em árvores onde filhotes de rapina já estão abrigados. Apesar de serem presas fáceis, os pássaros mais indefesos ganham proteção extra”, afirma. Independente de estarem protegidos, os pais dos pequenos sabiás rondavam a área e se preocupavam em espantar a coruja que estava de olho neles.
REPRODUÇÃO – Os filhotes dos sabiás e carcarás da UnB estão fora do período de reprodução, que ocorre durante a época de chuvas, normalmente entre agosto e setembro. “Não existe uma explicação para a data incomum. Pode ser uma coincidência porque este ano a seca foi prolongada”, afirma Marini.
“Os ninhos comprovam que existe vida na UnB. Os cantos dos pássaros estimulam os estudos ao ar livre e nos fazem esquecer do stress do final do semestre”, conta Tábata Gerk, estudante do primeiro semestre de Pedagogia. A universitária tem o costume de aproveitar a sombra das árvores para fazer os trabalhos