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Brasília

Rua da vida: combate ao cack

Arquivo Geral

31/03/2010 5h45

A disseminação do crack preocupa cada dia mais as autoridades do Distrito Federal. Em 2007, menos de 1% dos pacientes atendidos pela saúde pública informaram ter feito o consumo da droga. Neste ano, somente nos dois primeiros meses, o número chegou a 27%, o que levou o Ministério da Saúde, junto à secretaria de Saúde à criarem o grupo Consultório de Rua, iniciativa que visa conscientizar os jovens que fazem consumo de álcool e drogas.

O projeto Rua da Vida, ao qual pertence o grupo Consultório de Rua, conta com o apoio do Núcleo de Atendimento ao Usuário de Álcool e Drogas (NAUAD), que oferece serviços psicológicos, de assistência social e oficinas, que proporcionam atividades lúdicas aos dependentes, como jogos de peteca, dama, dominó, desenho e conversas informais. O objetivo dessas atividades, segundo a coordenadora do projeto, Maria do Socorro Paiva Garrido, é fazer com que a população de rua crie confiança no grupo. “O projeto ainda está engatinhando, mas já contamos com apoio para atuar na região central. Quando a van for disponibilizada para o projeto, pretendemos expandir até o Setor Comercial Sul, onde o consumo, principalmente o de crack, vem aumentando muito”, explica a coordenadora.

Na região central de Brasília, área que compreende a Esplanada dos Ministérios, Rodoviária do Plano Piloto e Setores Comerciais Norte e Sul são os locais com a maior concentração de usuários de drogas e moradores de rua. Por serem consideradas baratas, algumas drogas prevalecem entre as classes marginalizadas, como a cola de sapateiro, o tíner, a maconha e o crack, cujo consumo é o que mais preocupa as autoridades.

Todos eles ficaram viciados ainda na infância, a maioria antes de completar os dez anos de idade. Alguns, abandonados desde a infância pelos pais. Outros, fugiram de casa por maus tratos dos pais. Alguns, ainda, foram expulsos pela família por não conseguirem controlar a dependência e que acabaram vendendo móveis e eletrodomésticos da casa para sustentar o vício.

Nas ruas

Usuário de drogas desde que saiu de casa, em Planaltina, aos oito anos, João (nome fictício), hoje com 21 e com todos os sintomas provocados pelo uso prolongado do crack, como o amerelamento e a queda de alguns dentes, conta como é difícil conter o vício. “Quando você fuma a pedra pela primeira vez, não tem mais volta. Se eu consigo cinco é pouco. Se são dez pedras, continua sendo pouco. Quanto mais a gente fuma, mais a gente quer”, revela.

Os efeitos do crack são potencializados pelo álcool. Além da aceleração dos batimentos, sudorese e tremores, a pessoa que arrisca essa combinação pode ter uma morte súbita, ocasionada pelo aumento do ritmo cardíaco. “A combinação é muito comum. Os jovens consumirem álcool com outro tipo de droga. Existem estudos que comprovam que esta ingerir bebida alcoólica enquanto faz uso de outra droga pode ser letal”, diz Maria do Socorro.

Em datas comemorativas, o Consultório de Rua atua para levar cidadania à população marginalizada. De acordo com a coordenadora do projeto, no Dia Internacional da Mulher foram distribuídos batons e, para cada uma delas foi explicada a história daquele dia e a importância da data para a independência das mulheres. Na páscoa, a proposta é distribuir ovos para a população de rua e explicar todos os ícones e histórias desta data. A distribuição, que deveria ter ocorrido ontem, não pode ser feita por conta do mau tempo, o que atrapalharia a equipe em caso de chuva.

Uma iniciativa do Ministério da Saúde tem um projeto, ainda em fase de implantação, para tratar jovens dependentes. Trata-se do Grupo Emergencial de Acolhimento e Proteção a Crianças e Adolescentes do Distrito Federal e Entorno. A proposta do grupo é oferecer acolhimento, tratamento e ações de promoção da saúde pessoas que tenham vulnerabilidade física, psíquica e social. Como parceiros, o projeto conta com o Serviço de Saúde Mental do DF (CAPS), secretarias de Saúde, Direitos Humanos, Ação Social e de Justiça; Vara da Infância e Juventude do TJDF, Universidade de Brasília, entre outros.

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