Após o setor de Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC) declarar insatisfação com a mudança no projeto, o governador Rodrigo Rollemberg sancionou, na manhã desta terça-feira (10), lei que regulamenta a criação do Parque Tecnológico de Brasília – BioTIC. A área destinada ao parque tecnológico, que fica entre a Granja do Torto e o Parque Nacional de Brasília, foi cedida pela Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap), tem 1,2 milhão de metros quadrados e é avaliada em cerca de R$ 1,4 bilhão.
Para o governador Rodrigo Rollemberg, o parque poderá gerar oportunidades. “Brasília tem grande vocação para a tecnologia da informação, biotecnologia e nanotecnologia. E essas áreas atuando juntas vão agregar muito valor à nossa produção, vão gerar muitas oportunidades e produzir muita riqueza para a população do DF”, disse.
Rollemberg afirma, ainda, que não existe dúvida de que esse passo é importante na efetivação do parque. “A biotecnologia tem um sentido fundamental, na questão de agregar valores. Portanto, estamos felizes em assinar esse projeto. Garanto que não será um parque para Brasília, mas um parque para o Brasil. Nós vamos transformar Brasília no grande centro de tecnologia”, completou.
De acordo com o presidente da Terracap, Júlio César de Azevedo, essa junção será o ápice para o alavancamento da economia. “O projeto foi idealizado no inicio de 2000. Antigamente o foco era só a tecnologia da informação, porém o mundo dá voltas e muda. Hoje, a tendência é se unir à biotecnologia”, disse.
Júlio destacou que não existe vocação maior em Brasília que a biotecnologia. “Estamos no centro do poder. A maior zona de biodiversidade. Não existe lugar melhor para a criação de um parque focado na biotecnologia. Garanto que ele facilitará a vida de todos nós. A BioTIC é, acima de tudo, a matriz econômica que hoje é focada em serviços públicos”, explica.
Ainda segundo Júlio César, a Terracap irá lançar ainda essa semana um pregão digital para escolher as instituições financeiras que querem concorrer pela gerência do fundo. Elas devem ser escolhidas até fevereiro.
Segundo o vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Turismo, deputado Rodrigo Delmasso, a criação do parque gera grande ganho para a sociedade.
“Hoje, o DF se sustenta prioritariamente com o serviço público. A abertura do Parque Tecnológico, principalmente com a instalação da biotecnologia e nanotecnologia, possibilita que Brasília mude sua matriz econômica e, com isso, a economia fique mais forte, ou seja, se daqui a dez anos existir outra crise como essa, a sociedade não vai sentir tanto a crise como estamos sentindo hoje”, disse Delmasso.
A previsão é que, em novembro, comece a construção do primeiro bloco onde irão se instalar essas empresas.
Investimento
A estimativa é que a iniciativa privada invista R$ 1,7 bilhão no projeto. Enquanto isso, o governo, que também será um dos acionistas, deve investir R$ 1,3 bilhão. De acordo com a Novacap, o governo já investiu cerca de R$ 30 milhões no parque. A expectativa é que sejam gerados mais de 25 mil empregos diretos com a instalação do parque.
Empresários reagem a mudança no projeto
O setor de Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC) do DF declarou, ontem (9), a sua insatisfação com as alterações no projeto de criação do Parque Tecnológico de Brasília que, segundo o Sindicato das Indústrias da Informação do DF (Sinfor), terão impacto negativo direto na composição do espaço.
Os empresários reclamam da alteração do nome do Parque Tecnológico Capital Digital para BioTIC, que incluiu a “cadeia produtiva de Biotecnologia”. Segundo o Sinfor, durante várias reuniões, o GDF garantiu que o segmento seria representado pelo EmbrapaTEC, ou seja, sempre na trilha da Tecnologia da Informação. Porém, o sindicato afirma que com a mudança, o governo explica que a intenção é expandir o conceito, permitindo que o espaço seja ocupado por “comunidades, agricultores e indústrias, tais como: agropecuária, alimentos, farmacêuticas, perfumes e cosméticos”.
“Após 15 anos, estamos vendo todo o trabalho ser descartado e substituído por uma solução dita contemporânea, inovadora, mas que, na verdade, representa uma temeridade para a economia e imagem do país no exterior. Nos próximos dias, reuniremos nossas empresas filiadas para repensar a nossa participação. Neste meio tempo, continuamos abertos ao diálogo com o Governo do Distrito Federal. Queremos contribuir com o desenvolvimento tecnológico da cidade, mas precisamos estar seguros de que nossos investimentos serão respeitados e bem utilizados”, afirmou o presidente do Sinfor, Ricardo Caldas.