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Brasília

Rodoviários mantêm ônibus ‘extras’ nas garagens e ameaçam greve geral na segunda

Colaborador JBr

23/06/2016 22h03

Foto: Mateus Alencar

Rosana Jesus
rosana.jesus@jornaldebrasilia.com.br

Sem resposta do governo, os rodoviários mantêm os ônibus “extras” estacionados na garagem. A categoria reivindica aumento de 19,68% e a medida, sem previsão para acabar, atinge 31 regiões administrativas entre 4h30 às 8h30 e 15h às 18h30. Com a ação, 40% da frota está parada, ou seja, 140 ônibus não funcionam no horário de pico.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Jorge Farias, diz que a decisão seguirá firme até que o governo apresente uma contrapropostas. “O GDF joga o problema para os empresários e vice-versa. No final, ninguém faz nada para resolver o assunto”, conta. Farias ainda acrescenta que uma assembleia está confirmada para domingo, onde poderão decidir iniciar uma greve geral na segunda-feira (27).

A Secretaria de Mobilidade informou que a Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF) ajuizou dissídio coletivo de greve em 1º de junho no Tribunal Regional do Trabalho – 10ª Região (TRT10), devido a paralisações dos serviços prestados pelos rodoviários em 31 de maio. Na ação, a PGDF solicitou a declaração da ilegalidade das paralisações. O pedido liminar foi negado e o juiz marcou audiência de conciliação, a qual ocorreu em 6 de junho, sem ter chegado a acordo. Ainda de acordo com a secretaria, uma nova audiência de conciliação foi marcada para 1º de julho, às 14h. Nesse intervalo, por estar pendente o processo de conciliação, o GDF afirmou que qualquer paralisação dos rodoviários pode ser considerada ilegal.

A pasta acrescentou que se reuniu na última semana com o sindicato dos rodoviários e representantes das operadoras para negociação. Esta semana, a secretaria disse que as operadoras devem dialogar com a categoria para evitar paralisações.

Passageiros reclamam

Quem sofre com isso são os passageiros. A vendedora Thais Costa, de 21 anos, acorda cedo para se deslocar até a Asa Sul, às 8h50. “Acho uma calamidade e me prejudica muito, pois os ônibus estão lotados e não estão aguentando a quantidade de pessoas, sem contar que alguns quebram antes de completar o percurso. Geralmente, levo cerca de 30 minutos para chegar ao trabalho, mas agora estou levando 1h”, relata a moradora do Paranoá.

Passageiros do Entorno também são afetados. “Isso atrapalha muito, pois cria tumulto e as pessoas acabam se atrasando para chegar ao serviço, além disso, chegam em casa tarde e moram em locais perigosos”, diz o estudante de engenharia mecânica David Silva, 19 anos, que mora na Cidade Ocidental e depende do coletivo para ir a faculdade na Asa Sul. Ele ainda conta que a medida facilita os transportes clandestinos, que trabalham sem segurança e irregularmente. O empreender Clyverson Barbosa, 23, afirma que qualquer greve prejudica. “Por mais que os rodoviários tenham seus motivos, os passageiros não têm culpa”, opina o morador de Valparaíso, Região Metropolitana do Distrito Federal.

Outros usuários, no entanto, concordam com a atitude dos rodoviários. “Não acho certo o que o governo faz com o trabalhador, se eles fazem greve é porque querem um salário justo para sustentar suas famílias da melhor forma possível”, diz o vendedor Romério Souza, 22 anos, em defesa dos funcionários.

Greve do Metrô

Os metroviários continuam com a greve e atendem apenas no horários de pico – das 6h às 9h e das 17h30 às 20h30, com 100% da frota de funcionários. A principal reivindicação da categoria é a contratação de pessoal aprovado no último concurso, em 2013, além do acordo de reajuste para corrigir as perdas salariais.

O diretor judiciário do Sindicato dos Metroviários do Distrito Federal (Sindmetrô-DF), Júlio César Oliveira, disse que ainda não há previsão para o fim da paralisação. Ele afirma que a categoria já fez de tudo para resolver o problema, mas o governador não se sensibiliza com a situação.

Diálogo

A Secretaria de Mobilidade informou que a Subsecretaria de Relações do Trabalho e do Terceiro Setor da Casa Civil, Relações Institucionais e Sociais tem se reunido regularmente e mantido diálogo contínuo com os sindicatos. A pasta informou que, para isso, foram criadas 32 mesas permanentes de negociação com as entidades, onde os encontros ocorrem semanalmente e as demandas são debatidas no intuito de buscar a melhor solução para as reivindicações.

O governo de Brasília informou ainda que os metroviários, por serem celetistas, têm seus direitos definidos em Acordo Coletivo que, no caso específico, ocorre a cada dois anos. Em 2015, a negociação estabeleceu que o governo de Brasília reajustará os salários e fará novas contratações quando sair do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (RLF), o que ainda não ocorreu e, segundo o GDF, impede que sejam concedidos novos aumentos não previstos em lei.

A Companhia do Metropolitano (Metrô-DF) informou que o Tribunal Regional do Trabalho deve decidir nos próximos dias sobre a ilegalidade ou não da greve. No processo de negociação que antecedeu o dissídio em juízo, o Metrô-DF informou que apresentou contrapropostas às cláusulas econômicas e sociais apresentadas pela categoria, entretanto, nenhuma teria sido aceita.

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