Menu
Brasília

Rodoviários amanhecem em greve nesta segunda

Arquivo Geral

08/06/2015 8h21

Os rodoviários contrariaram a orientação do próprio sindicato e votaram, em assembleia, pela greve geral a partir de hoje. Eles rejeitaram a proposta de manter as negociações até a próxima segunda- feira e cortar apenas as meias-viagens (espécie de hora extra). A categoria, porém, está sujeita a multa na ordem de R$ 100 mil por dia caso não mantenha 70% da frota circulando nos horários de pico, conforme liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) entregue ontem.

Hoje, pela manhã, a expectativa é de que  sindicalistas tentem convencer os trabalhadores a operar o número   de ônibus estabelecido. Diretores iriam às garagens explicar que a entidade não pode arcar com a multa. A ideia também é mostrar a possibilidade de continuar as discussões para conquistar  reajuste próximo aos 13% preteridos, não apenas os 8,34% contrapropostos. 

Todos concordaram, no entanto, que gostariam de ver representantes do governo na mesa de negociações. Apenas um diretor do DFTrans teria ajudado com acertos pontuais na última sexta-feira, sem participar  das questões relativas ao reajuste. “O governo está na arquibancada vendo a gente se digladiar com os empresários”, critica o diretor de comunicação do sindicato, Marcos Jr. Duarte.

Abstenção

O secretário de Mobilidade, Carlos Tomé, defende a distância mantida  e afirma que o assunto é “entre patrões e empregados”: “No passado, tivemos negociações que colocavam de um lado rodoviários e empresários contra o governo. Recentemente, tivemos rodoviários e governo contra empresários. Agora, estamos colocando as coisas nos devidos lugares”.

O titular da pasta informou que o GDF tentou resolver o problema na Justiça e espera o cumprimento da decisão de manter um percentual mínimo em circulação. Segundo Tomé, caso empresários e rodoviários cheguem a um acordo, o subsídio para as viações terá de ser aumentado para arcar com isso automaticamente, por força de contrato.

Por meio de  assessoria, a Associação das Empresas de Transporte Coletivo do DF informou que entrará com pedido de dissídio de greve, na Justiça, “o mais rápido possível”. A partir daí, aceitariam reiniciar as conversas sobre os reajustes. A entidade, autora da ação que resultou na liminar entregue ao sindicato,  espera conseguir manter pelo menos   70% dos ônibus funcionando.

Situação difícil para o passageiro

Alheios à briga política, os cidadãos ficam à mercê das greves.  Morando há apenas cinco meses na cidade, as militares Cristiane da Silva Vieira,   25 anos, e Gleice Correa,   21, já sofreram com duas paralisações. “Recorremos a transporte pirata”, admite Gleice.

Como trabalham para o Exército, as duas têm horários rígidos e, diante da possibilidade de ficar sem ônibus, cogitam dormir no quartel. “É o jeito. A gente pode tentar pegar um táxi ou carona, mas às vezes é difícil”, diz Cristiane. Ambas moram em Jardins Mangueiral  e também se queixam da falta de ônibus, de maneira geral, para   a região.

Também militar, Wellington Rangel,  19, passeava com o filho  quando soube da notícia. “No meu trabalho, o atraso não é tolerado. Às vezes eles entendem, às vezes não”, desabafa. Ele reclama de ser sempre pego de surpresa. Na casa de Valdeir Luis, operador de guincho, 53, os cinco membros da família dependem dos ônibus. “Moro no DF há 28 anos e não consigo contar quantas vezes isso aconteceu”, diz.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado