A Rodoviária do Plano Piloto, principal terminal de transporte coletivo do Distrito Federal, passou a contar com um espaço de apoio psicológico gratuito, o Cantinho do Desabafo. A iniciativa, resultado de uma parceria entre a Concessionária Catedral e o Projeto HELP – tem como foco a prevenção de problemas de saúde mental. O serviço oferece escuta qualificada e acolhimento emocional a passageiros, trabalhadores e frequentadores do terminal às terças e quintas-feiras, das 14h30 às 17h, em ciclos quinzenais. Além do projeto, a nova gestão também inaugurou a primeira sala multissensorial da história da rodoviária, voltada a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras neurodivergências.
O coordenador do Projeto HELP, Antônio Neto, explica que a proposta nasceu do desejo de criar ambientes onde as pessoas possam se sentir ouvidas, especialmente em espaços de grande circulação. Ele destaca que o projeto já impactou milhares de pessoas em outras cidades brasileiras, com ações realizadas em estações de metrô, shoppings e escolas. “O HELP – Não te julgo, te ajudo, criado em 2018, tem como foco a prevenção de problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade, automutilação e tentativa de suicídio. Muitas pessoas passam diariamente pela rodoviária. Muitas carregam dores silenciosas, e nosso objetivo é oferecer um espaço de diálogo para que situações de angústia não evoluam para algo mais grave”, afirma.
Segundo Antônio, a recepção ao Cantinho do Desabafo tem sido positiva. O local, instalado em uma tenda na plataforma A/B do terminal, oferece conversas com voluntários capacitados em escuta empática. “Muitos chegam curiosos, mas acabam encontrando um lugar para aliviar sentimentos acumulados. Também temos suporte online no Instagram @help.fjv, com cartas escritas por voluntários contendo mensagens positivas e um contato de WhatsApp para desabafos gratuitos”, explica.
Para a Concessionária Catedral, a presença do Cantinho do Desabafo reforça o compromisso da nova gestão com o cuidado humano, indo além das melhorias estruturais. Enrico Capecci, diretor da concessionária, explica que a implantação do espaço é parte de uma estratégia para tornar a rodoviária um ambiente mais acolhedor. “São mais de 700 mil pessoas circulando todos os dias, muitas delas passando por situações difíceis. Queremos que a rodoviária não seja apenas um ponto de passagem, mas também um lugar onde o cuidado e a escuta sejam valorizados”, disse.
Além do projeto de apoio emocional, a nova gestão da rodoviária tem investido em ações voltadas à modernização do terminal. Uma das principais novidades é a inauguração da primeira sala multissensorial do local, voltada ao acolhimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras neurodivergências. Inspirado em modelos já adotados em aeroportos, o espaço oferece estímulos controlados para promover o bem-estar e a adaptação dos usuários.
Com dois meses à frente da concessão, a Concessionária Catedral também realizou melhorias estruturais, como a reativação das 12 escadas rolantes, que estavam paralisadas há décadas. Os equipamentos agora funcionam com o suporte de uma equipe de manutenção permanente e peças de reposição em estoque, garantindo maior durabilidade e redução do tempo de reparos. Dois elevadores já foram reformados, enquanto os demais devem ser modernizados até o fim de 2025.
Outras ações incluem a instalação de 50 novas telas digitais conectadas ao sistema da Semob, exibindo informações em tempo real sobre horários e linhas de ônibus, além da ampliação da limpeza e manutenção constante dos banheiros. A concessionária também contratou fiscais de plataforma, identificados por coletes amarelos, que atuam na orientação de passageiros e no auxílio a pessoas com dificuldade de locomoção.
A zeladoria do terminal foi intensificada, com lavagem frequente de pisos, paredes e tetos, além de propostas de padronização das lojas e incentivo à ampliação dos horários de funcionamento. Em paralelo, a empresa mantém estudos junto aos órgãos de patrimônio para futuros terminais do BRT, ampliando a mobilidade no Distrito Federal.
Para Enrico Capecci, o objetivo é transformar a experiência de quem circula pelo terminal, conciliando infraestrutura moderna e atenção às necessidades sociais. “A ideia é que o Cantinho do Desabafo se torne um serviço permanente e que a rodoviária seja reconhecida não apenas como um espaço de transporte, mas também como um lugar de acolhimento e respeito às pessoas”, afirma.




