Manuela Rolim
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O maior esquema de corrupção do País contado em quase 400 páginas de maneira simples e objetiva, tão envolvente quanto um filme. Essa era a intenção do jornalista e autor da obra, Vladimir Netto no livro Lava Jato – O juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil, lançado na noite desta quarta-feira (6) na livraria Cultura do shopping Iguatemi.

Reprodução/Facebook
Rodeado de admiradores, o escritor comentou sobre a emoção de apresentar a publicação aos brasilienses. “Já chorei muito hoje. É uma grande emoção estar em Brasília. É a cidade que eu escolhi, tem 20 anos que moro na capital, minhas filhas nasceram aqui. Existe um carinho especial ao entregar para a cidade o meu trabalho. A recepção está sendo ótima, o enredo foi muito elogiado”, comemora.
O jornalista explicou o que o motivou a produzir a obra. “Em agosto de 2014, eu percebi que essa história ia ser diferente das outras. Eu já vinha cobrindo operações policiais há muitos anos, ações com inícios espetaculares e finais melancólicos, mas era nítido que a Lava Jato ia mais longe. Depois de novembro do mesmo ano, na 7ª fase da operação, quando os empreiteiros foram presos pela primeira vez e ficaram na cadeia, achei que ali existia um livro e comecei a focar nisso. Logo depois veio o convite”, afirma.
Apesar de o tema ser de grande complexidade, a ideia era transformá-lo numa história para facilitar o entendimento dos leitores, ressaltou o escritor. “Tentei reconstituir cena a cena, falando com todo mundo que estava presente para contar exatamente como aconteceu. ‘Por que a Lava Jato foi mais longe?’ foi a pergunta que moveu o livro e tentei respondê-la usando a minha experiência de televisão, trazendo o leitor para dentro da cena, como se fosse um filme de ação e de forma mais simplificada. O brasileiro tem que saber dessa história até para poder se preparar para o futuro, ainda temos fortes emoções pela frente”, completa.
Diante do desafio de narrar uma história que ainda estava em construção, Vladimir manteve um único objetivo em mente: fazer um relato fiel dos fatos, sem juízo de valor, e registrar, em detalhes, o cenário de um movimento que pela primeira vez tornava real o caminho para combater a corrupção no Brasil. O resultado é um livro repleto de bastidores e diálogos quase que inacreditáveis.
“Comecei a trabalhar neste projeto no dia 1º de janeiro de 2015, depois de voltar da cobertura da posse da presidente reeleita Dilma Rousseff. Em casa, à noite, a primeira coisa que fiz foi ligar para algumas fontes. Sem elas, não seria possível ter chegado até aqui. Expliquei que teriam que me contar tudo o que acontecera desde o início da Operação Lava Jato, e também o que viesse pela frente. As fontes generosamente aceitaram. E isso fez toda a diferença”, acrescenta.
Para traçar o perfil do juiz Sergio Moro, fio condutor da operação, o autor se debruçou sobre seu trabalho. “Ao longo de 17 meses, de janeiro de 2015 a maio de 2016, me dediquei a reunir informações de bastidores, a pinçar os melhores diálogos, a perfilar os principais personagens para contar esta história. Perdi as contas de quantas entrevistas eu fiz, quantas mensagens mandei e recebi por vários aplicativos, quantas conversas tive e a quantos cafés, almoços e jantares compareci para tratar da Lava Jato”, revela.
“Eu sou a favor da democracia. E esse livro é uma forma de contribuir com isso. Meu nome é Vladimir por causa do Lênin, líder da Revolução Russa. Quando eu nasci, meus pais eram presos políticos, minha mãe foi torturada na cadeia, e ainda ficou mais nove meses encarcerada”, conta.
A obra
Com prefácio de Fernando Gabeira e os direitos comprados pelo cineasta Jose? Padilha para virar uma série de TV, a obra mostra como a Lava Jato virou patrimônio nacional e, ao que tudo indica, terá consequências ainda por vários anos. A? medida que a operação avança, é possível descobrir quem são os personagens-chave desse processo – doleiros, dirigentes da Petrobras, políticos e empreiteiros – e como se articularam para desviar bilhões dos cofres da estatal.
Em dois anos, a investigação – que partiu de um núcleo de doleiros que atuava em um posto de gasolina da capital, por onde circulavam dinheiro vivo e assessores do Congresso Nacional – chegou ao coração da República. O que Lava Jato – O juiz Sergio Moro e os bastidores da operaça?o que abalou o Brasil faz é seguir os passos de investigadores e investigados para contar como as coisas realmente aconteceram e oferecer uma visão de como a operação superou todas as dificuldades que encontrou em seu percurso. A história da Lava Jato é reveladora – expõe o tamanho do desafio que a sociedade brasileira tem em suas mãos. E mostra, sobretudo, que há um caminho viável para o combate à corrupção. O da lei.
“Não haverá o dia em que todo o roubo será evitado. Nenhuma operação acabará com a corrupção, mas a Lava Jato criou padrões que podem interromper a escalada de troca de favores, uso abusivo de recursos públicos, pagamento de propina transformado em sobrepreço nos contratos. Criou um novo consenso na sociedade brasileira: o de que é preciso sufocar a corrupção. Outros casos serão descobertos, mas o que se conseguiu foi diagnosticar um mal que estava levando o Estado brasileiro à metástase.”, conclui Vladimir.
Repercussão
Ao se deparar com o livro, o juiz federal Sergio Moro enfatizou a importância de mudanças no caso de escândalos de corrupção. “Nós temos duas alternativas. Podemos, como se fez muito, varrer esses problemas para debaixo do tapete, esquecer que eles existem, continuar os nossos caminhos, ou podemos enfrentar esses problemas, com seriedade e da forma que eles devem ser enfrentados. A partir do momento em que não há um enfrentamento do problema, nós vamos encontrá-lo muito maior”, afirma Moro.
Já o cineasta José Padilha fez questão de elogiar a publicação. “O livro do Vladimir, além de narrar de forma empolgante uma incrível operação policial, é também um documento histórico de valor imprescindível para o país”.
Sobre o autor
Vladimir Netto é repórter da TV Globo e vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Formado em jornalismo pela UFRJ, já passou pelas redações de Jornal do Brasil, Veja e O Globo. Nos últimos anos, recebeu diversos prêmios, como o Embrapa de Reportagem, em 2008; o Rede Globo de Jornalismo, em 2009; o Rede Globo de Grande Furo de Reportagem, em 2012; o Jornalistas & Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade, em 2013; o de Furo de Reportagem, no Jornal Nacional, em 2013; e o de Melhor Reportagem no Bom Dia Brasil, em 2014.
Em 2015, ganhou o prêmio de Melhor Reportagem do Jornal Hoje por ter revelado documentos de contas no exterior atribuí das a Eduardo Cunha e, em equipe, o de Grande Cobertura pelo noticiário sobre a Operação Lava Jato. Filho dos jornalistas Marcelo Netto e Miriam Leitão, Vladimir nasceu em Caratinga, Minas Gerais, e hoje mora em Brasília com a esposa, Giselly Siqueira, e as duas filhas, Manuela e Isabel.
Serviço
Lava Jato – O juiz Sergio Moro e os bastidores da operaça?o que abalou o Brasil, Vladimir Netto
Preço: R$39,90 / e-book: R$24,99