O cão Pipoca recebeu este nome porque gostava de pular, como pipoca quando estoura na panela. Além de brincalhão, ele era dócil e carinhoso, o xodó da vizinhança. Mas o jeito alegre não combinava com sua trajetória. Um ano após ser resgatado das ruas, com sinais de maus-tratos, testemunhas afirmam que o cachorro teria morrido ao ser atropelado por uma vizinha, que morava no mesmo terreno de sua nova família e o consideraria “bagunceiro e barulhento”. Marido da suspeita nega a versão apresentada pelos moradores.
O acidente ocorreu no último dia 6, por volta das 14h, na Quadra 2, no Setor Norte do Gama. Segundo o relato de vizinhos, uma mulher, que seria vigilante, estava saindo de casa quando atingiu o cachorro de forma proposital.
A dona do cão, Rafaela Lima, estudante, 26 anos, conta que foi avisada do ocorrido por crianças que brincavam nas proximidades. “Elas começaram a me chamar desesperadas, dizendo que ela tinha atropelado o Pipoca. Não acredito que tenha sido acidental porque ela passou por cima dele duas vezes, não prestou socorro e ainda fugiu, cantando pneus”, alega.
Uma vizinha, que prefere não se identificar, declara que a suspeita engatou a marcha à ré e passou por cima do animal. “Não sei como conseguiu, já que ele é um cão de médio porte. Não satisfeita, porque o viu se mexendo, o atropelou novamente”, afirmou.
Barulho forte
Camila Silva, desempregada, 27 anos, relata que ouviu um barulho similar ao de uma batida, além dos gritos. “Quando corri para ver o que tinha acontecido, o cão já estava caído, desacordado, próximo à quadra de esportes. É muito triste. Ele era muito querido”, lamenta.
O aposentado Hugo Rodrigues, 82 anos, ressaltou que já presenciou outras agressões da vigilante contra o cão. “As vezes, quando ela chegava em casa com compras e ele pulava em cima, a fim de brincar, ela o chutava sem paciência. Crio cinco cachorros e acho esse tipo de coisa atitude inaceitável”, reclama.
Enterro causa comoção nas redes sociais
O cão foi enterrado no último dia 7, em um cemitério para cães de São Sebastião. As fotos de seu enterro foram compartilhadas por Rafaela no Facebook e tiveram 2,5 mil compartilhamentos. Além disso um grupo, intitulado “Amigos do Pipoca”, foi criado na rede social. A página já conta com mais de 300 seguidores.
Foi criada até uma petição pública, que pode ser assinada online, exigindo o cumprimento da Lei 9.605/98, que versa, entre outros pontos, sobre maus-tratos a animais.
Defesa
O marido da suspeita, que também é vigilante, negou a versão dos moradores e garantiu que o atropelamento foi acidental. “Ela disse que quando ouviu o barulho, olhou pelo retrovisor e ele estava andando. Por isso, não parou para prestar socorro”, salienta.
Segundo ele, nem o pai nem o irmão da mulher possuem porte de arma. “Quem disse isso mentiu. Vamos acionar a Justiça. Além da calúnia, houve difamação quando publicaram uma foto dela, com o nosso endereço e xingamentos, em uma rede social”, argumenta.
Ele também desmente os problemas anteriores entre a esposa e o animal. “Isso não existia. Ele brincava com os nossos filhos. Ela só reclamava porque ele fazia bagunça e sujava o terreno”, admite.
Legislação
A Lei Federal 9.605/98 diz que “é crime praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”. A lei não é clara, porém, no que se refere a omissão de socorro em casos de atropelamento.