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Brasília

Risco de cancelamento do Festival de Brasília de Cinema Brasileiro 

Trabalhadores da organização do evento, que é considerado patrimônio cultural imaterial do Distrito Federal, estão sem receber os recursos para a realização da tradicional festa do cinema brasileiro

Amanda Karolyne

05/08/2026 18h07

Foto: Jornal de Brasília/Tamires Rodrigues

A pouco mais de um mês para o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, as pessoas que trabalham no meio cultural do DF e que estão envolvidas com o festival, temem que o pior cenário se torne realidade: o cancelamento do festival. Ao Jornal de Brasília, algumas pessoas relataram a falta do repasse de recursos previstos para a realização desta, que vai ser a 59a do Festival.

Os trabalhadores envolvidos no festival estão sem receber o repasse da primeira parcela acordada e a segunda parcela de pagamento também vai vencer. De acordo com fontes indagadas pela equipe de reportagem do Jornal de Brasília, que preferiram não se identificar, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal não havia realizado este pagamento desde o primeiro semestre. “Estamos trabalhando desde março, muita gente envolvida, prestadores de serviço contratados e nem um cheiro de dinheiro”, comentou. 

A pessoa que se manifestou, também afirmou que não há a possibilidade de adiamento do festival. “Mas há a possibilidade de cancelamento caso não haja o pagamento.” 

O que as pessoas que trabalham no meio cultural têm apontado, é que a última vez que o festival deixou de ser realizado, foi na ditadura. Até no período da pandemia de Covid, em 2020 e 2021, a tradicional mostra do cinema brasileiro teve sua programação exibida. 

O que diz a pasta 

Ao JBr, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) salientou que acompanha a situação da próxima edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, e está em diálogo com a organização do evento, além das áreas competentes do Governo do Distrito Federal para avaliar as condições orçamentárias e financeiras necessárias à sua realização. “Qualquer decisão será comunicada oficialmente, assim que concluídas as avaliações em curso”, afirmou a pasta em nota.

Segundo a Secec, não há decisão oficial de cancelamento ou adiamento da 59ª edição do festival. A Secretaria está analisando o cenário e reforçou que vai divulgar qualquer definição assim que forem concluídas as avaliações em curso. Além disso, a pasta reconheceu a relevância histórica e cultural do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e aguarda a conclusão das avaliações governamentais necessárias à definição sobre a edição deste ano.

Preocupação da cadeia produtiva 

Thiago de Aragão, diretor da Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiros do Centro-Oeste, declarou que ele, assim como outras pessoas da cadeia produtiva do DF acompanham com muita preocupação a situação do Festival de Brasília, por entenderem que essa é uma situação sistêmica que impactou a cultural e o audiovisual. “Onde os problemas do GDF com o Banco Master e o BRB acabam afetando toda essa área”, disse.

Ele lembra que no mês passado, o Cine Brasília estava correndo o risco de fechar e agora, a ameaça de cancelamento chegou ao Festival de Brasília. Para ele, o Festival corre o risco de não acontecer neste ano, porque sem o dinheiro não é possível emitir as passagens, nem pagar os funcionários e todos os trabalhadores envolvidos, que envolvem desde curadores, produtores e até os profissionais da area técnica. “E tem um um conjunto de projetos que ganharam edital, mas que não foram pagos relacionados a toda a cultura do Distrito Federal.

Além do Festival de Brasília, Thiago aponta que essa crise relacionada ao BRB e Banco Master, podem paralisar toda uma programação e todo o trabalho de uma série de trabalhadores da cultura do Distrito Federal. “Consideramos que essa seja uma situação gravíssima.”

O diretor apontou ainda, que em relação ao Festival, muitas associadas da API estão com um filme inscrito no Festival, e as obras ficam comprometidas no meio deste impasse. “Os filmes estão reservados, a maioria não estreou contando com o convite do Festival”, destacou. De acordo com uma publicação nas redes sociais do Festival, cerca de 1.928 filmes foram inscritos oficialmente para a 59a edição. 

De acordo com Thiago, os trabalhadores do festival estão sem receber uma parcela do pagamento referente ao mês de maio. “O governo prometeu que seria semana passada, só que mais uma vez não foi honrado o compromisso. A gente realmente tem um grande receio de que seja uma um problema que aumente exponencialmente.”

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