A tão esperada noite de Ano Novo envolve preparativos para comemorações em festas com a família e amigos. Mas na hora da virada, search nem todos têm o privilégio de desfrutar da companhia de pessoas queridas. Uma legião de profissionais fica acordada e trabalhando o tempo todo. São atividades que não podem parar como policiais, more about garis, seguranças, porteiros, músicos, chefes de cozinha, garçons e até ambulantes, que vão passar a entrada de 2009 a pleno vapor.
Alguns deles conseguem aliar a diversão ao trabalho, mas a maioria precisa de concentração para atender à clientela e o público que lota as ruas, restaurantes e eventos da cidade. Enquanto nessa época, a preocupação de muitos é com a escolha do lugar, a cor da roupa e o cardápio para a ceia, esses profissionais têm que se desdobrar entre o expediente de trabalho e a família.
Com um repertório de histórias variadas e episódios marcantes, o Jornal de Brasília resolveu homenagear os trabalhadores da virada do ano e contar um pouco da vida de um porteiro, um policial militar, um DJ e um chefe de cozinha que há mais de uma década trabalham na noite do Réveillon brasiliense.
Rotina
A ausência da família e o adiamento das comemorações para o dia seguinte fazem parte da rotina desses profissionais que não desanimam diante do trabalho. Para não perder o ritmo dos festejos, que mobilizam milhares de pessoas em todo o País, vale de tudo. O DJ Fábio Professor conta que já levou quase a família inteira para uma festa de fim de ano onde iria trabalhar a noite toda.
Já o porteiro Robério, não perde o espetáculo da queima de fogos, acompanhado todos os anos pela pequena televisão da portaria do bloco F da 210 Norte. Pelas ruas e pelas festas, a segurança da população fica à cargo de policiais militares e civis que percorrem a cidade e participam de grandes comemorações, como o Réveillon na Prainha e na Esplanada dos Ministérios, que esse ano promete atrair um público de até 400 mil pessoas.
O traje branco típico do fim de ano nem sempre pode ser uma opção para esses profissionais, mas o que vale é passar a virada com tranqüilidade e com sentimento de paz no coração, como diz o major da Polícia Militar, Antônio Carlos de Santana.
Um giro pelo mundo na portaria
O porteiro Francisco Robério Freire, 50 anos, vai sair para trabalhar à noite e só voltará no próximo ano. Isso porque ele entrará no emprego na tarde de hoje e vai passar a virada de 2008 para 2009 vigiando a movimentação do bloco F, da quadra 210 Norte. Ele conta que a esposa ainda tentou passar a data ao lado dele e se ofereceu para acompanhá-lo na portaria. A idéia foi descartada. “Trabalho é trabalho”, explica Robério.
Ele confessa que adora as festas de fim de ano, mas como trabalha em regime de escala tem que revezar anualmente entre Natal e Ano Novo. “No ano passado, tive folga e pude comemorar a virada. Este ano, passei o Natal em uma festinha com a família, em Santa Maria. Agora, vou trabalhar no Réveillon”, explicou. O porteiro, que atua na profissão há dez anos, comenta que os parentes e amigos sentem falta da sua presença nas comemorações, mas entende que o sacrifício faz parte de sua rotina de trabalho.
Robério diz que não espera tumultos nem confusões durante o expediente noturno de hoje. “A noite de final de ano, normalmente, é muito tranqüila. Perto da meia noite, já não vemos mais muitas pessoas pela rua. A maioria já está em casa, aguardando a virada”, relata. Para ele, a hora mais esperada é a da queima de fogos. “Vou acompanhar tudo ao vivo pela televisão e ainda vou poder dar um giro por todas as capitais do País e do mundo para ver como estão os eventos e as atrações musicais”, contenta-se.
Depois da labuta, vem a compensação. O porteiro vai sair para comemorar o novo ano, com um pouco de atraso, amanhã. “Vou dar umas voltas por aí”, resume Robério. Para ele, a virada de 2009 para 2010 promete. “Aí sim, vou poder armar uma grande festa”, adianta.
Prioridade para a segurança da população
Mais importante do que se divertir, é garantir a segurança de milhares de pessoas que vão passar a festa de Ano Novo na Esplanada dos Ministérios. Essa é a opinião do comandante da Polícia Militar na Operação Esplanada 2008/2009, major Antônio Carlos de Santana, 37 anos. Para ele, o dever vem em primeiro lugar. A comemoração com parentes ficará para o dia seguinte. “Depois da missão cumprida, terei um almoço com a família”, festeja.
Há mais de uma década, Santana participa de operações de Réveillon, mas pela primeira vez assume o comando geral da atividade. “Enquanto a população se diverte, a PM trabalha para garantir um Ano Novo tranqüilo e com segurança”, enfatiza o major. Ele ficará responsável por uma equipe de 1,2 mil homens que farão o policiamento da festa com previsão de reunir uma multidão entre 300 mil e 400 mil pessoas, entre moradores do DF e turistas.
O major destaca que a grande preocupação dos agentes de segurança pública é com a mistura perigosa de álcool e direção e, por isso, serão intensificadas as ações de fiscalização com blitze com bafômetros nas principais vias de acesso à festa e também nas entradas e saídas das cidades. “Durante 19 anos na Polícia Militar, já presenciei diversos tipos de situações no dia do Ano Novo. Já vi festas que eram para ser bonitas se transformarem em tragédias”, relata o policial, relembrando que já socorreu pessoas atropeladas e parentes que causaram a morte de membros da própria família por embriaguez ao volante.
Mesmo estando longe da família, o major diz que vai passar um ótimo fim de ano. “Para mim, é uma satisfação imensa exercer uma função tão nobre que é a de proteger a sociedade. Estamos trabalhando para o bem”, ressalta.
DJ também se diverte e leva a família
A festa de Réveillon que era para ser apenas mais um trabalho profissional acaba se transformando também em um grande espaço de confraternização. Para o publicitário e empresário Fábio Lopes, 33 anos, mais conhecido na noite brasiliense como DJ Fábio Professor, os embalos da comemoração de Ano Novo ganham um brilho a mais com um repertório de músicas escolhidas a dedo para emocionar o público. Hoje, ele tocará em uma tradicional festa realizada em um hotel da cidade e levará a esposa para acompanhá-lo na tarefa de divertir cerca de oito mil pessoas.
O som das pickups comandadas pelo professor de Publicidade já chegou a ser requisitado em três eventos de fim de ano realizados na mesma noite. O DJ aceitou os convites e teve que se virar para conseguir dar conta do recado. “Não foi uma boa escolha. Tocava em uma festa e depois já tinha que correr para outra. No final das contas, não aproveitei nenhuma delas”, relembrou. O corre-corre foi deixado de lado e hoje, com mais experiência, ele prefere se dedicar exclusivamente a um único evento.
Fábio comenta que o som traz euforia para o público e, por isso, cada música tem o momento certo de invadir as pistas de dança. “Já vi até gente tirar a roupa e ficar pelado. É claro que as bebidas alcoólicas também ajudam as pessoas a se soltarem”, revela. O DJ conta que já está acostumado a passar a data longe da família, mas que já carregou seis parentes para uma festa de Réveillon, com aval dos organizadores. “Foi o jeito que encontrei de reunir todos em um lugar legal”, relembrou. Fábio Professor também bateu seu recorde durante as comemorações de Ano Novo, quando passou oito horas seguidas embalando uma única festa.
Muita alegria na cozinha
Mesa farta e cardápio variado. Tudo isso para garantir uma “ceia gostosa e sem barulho”. Os preparativos do chefe de cozinha Francisco Ansiliero, 69 anos, já começam muito antes do dia do Réveillon. Responsável por comandar três restaurantes da capital, ele espera receber na noite de hoje cerca de mil pessoas. Para ele, trabalhar durante todo o dia do Ano Novo, no almoço e no jantar, já virou uma rotina ao longo dos 20 anos de atuação profissional em Brasília.
“Organizar um bom ambiente faz parte do nosso compromisso com os clientes que nos prestigiaram durante todo o ano e hoje querem se reunir com a família para ter um jantar tranqüilo”, destaca. Ele ressalta que o ambiente dos restaurantes é familiar e o público
que freqüenta os restaurantes é variado entre crianças, jovens, adultos e idosos. Nessa
noite especial e de movimento intenso, a equipe de garçons, ajudantes e funcionários
precisa ser reforçada em 50% para que tudo saia como planejado.
O chefe destaca que no menu de final de ano não podem faltar os pratos tradicionais
da cultura brasileira. “Nas festas de Réveillon existe o hábito das pessoas comerem bacalhau e leitão, por isso, preparamos várias versões desses pratos”, explica Francisco. Para quem
for degustar as iguarias, o chefe adianta que será servido, como é feito tradicionalmente
todos os anos, o bacalhau na brasa. Os convidados também terão direito a experimentar a
costela de porco assada com molho de romã. Tudo isso acompanhado pela variedade
de rótulos das adegas de vinho e espumantes dos restaurantes.
Francisco diz que comemora o sucesso a cada virada de ano. “Já estamos com as
três casas praticamente cheias”, exalta.