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Brasília

Reunião com a base

Arquivo Geral

01/08/2016 8h56

Não é oficial. Não está na agenda. Mas é fato. O governador Rodrigo Rollemberg tentará conversar com a base ainda hoje. Até o começo da noite de ontem, o socialista costurava uma reunião com aliados para a manhã na Residência Oficial de Águas Claras. Rollemberg tem plena consciência da importância deste semestre para o futuro. Por isso, por um lado pretende alinhar os ponteiros entre o Legislativo e o Executivo. O Buriti quer e precisa do apoio dos distritais para projetos importantes e polêmicos. E nesta maratona, a discussão sobre a contratação de Organizações Sociais (OSs) é a prova de fogo.

Entre marés e ondas
A conversa também servirá de referência para definição da base. Nos próximos dias o GDF pretende definir quem é aliado para todas as marés e quem está apenas atrás de boas ondas. Honestamente, Rollemberg já deveria ter feito isso há muito tempo.

Currículo de amigo

O vice-governador Renato Santana disse à CPI da Saúde que não tem relação nenhuma com a presidente do Sindsaúde-DF, Marli Rodrigues. A sindicalista disse que ele mente. Nos primeiros segundos de gravação do áudio de quase três horas de duração, Santana diz a uma cunhada de Marli que estava “fazendo currículo” para ver se virava amigo dela. Em seguida, diz ter ido lá para ver por que ela estava “meio sumida”.

Pingos nos “is”
Não foi a promotora Marisa Isar, da Promotoria de Defesa da Saúde, que pediu explicações ao Governo do DF sobre a demissão do jornalista Caio Barbieri, conforme publicou esta coluna na edição de sexta-feira. O Ministério Público quer sim saber os motivos da demissão e pediu, inclusive, uma cópia da carta de demissão do ex-servidor, já que o Diário Oficial do DF publicou que a exoneração se deu “a pedido”, informação contestada pelo jornalista. Mas foi outra promotoria que provocou o Executivo: a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social. Por falta do documento, o governo já até corrigiu a informação, conforme publicou o Diário Oficial de quinta-feira. Então, está esclarecido.

Reação

Presidente do Sindsaúde-DF, Marli Rodrigues reagiu à manifestação do deputado distrital Wellington Luiz (PMDB), presidente da CPI da Saúde, de que ela teria mentido no depoimento na Câmara Legislativa. Ele contou que a sindicalista dissera que entregaria tudo para a investigação. “Não entregou”, disse ele. “O deputado deve primeiro perguntar ao Ministério Público se, após a minha ida à CPI, eu entreguei algo novo para os promotores. E que um sindicalista vai ao MP por diversos motivos. Além da CPI da Saúde, o MP também trabalha em outras frentes”, disse.

Pingue e pongue

Foto: Mateus Alencar

Foto: Mateus Alencar

A crise instalada no primeiro escalão do Palácio do Buriti só o tempo – com muito diálogo – poderá dissipar, na opinião do presidente interino do PSB-DF e secretário adjunto de Turismo, Jaime Recena. Ele insiste que aliança com o PSD permanece intocável e diz ter confiança no trabalho do líder da legenda no DF, deputado federal Rogério Rosso.

Que avaliação você faz do atual cenário político, em que está instalada uma crise notória entre PSD e PSB?

Assumimos o governo em meio a uma crise e, neste cenário, o governo tomou algumas medidas que contrariam muitos interesses. O governador optou por fazer esse enfrentamento com tansparência. Tivemos a coragem de licitar contratos que nunca haviam sido e isso incomoda. PSB e PSD sempre tiveram uma ótima relação. Temos completa confiança na liderança do deputado federal Rogério Rosso e acho que o problema é muito mais provocado por um grupo que pretende desestabilizar o governo.
Embora o governo insista que não haja provas de que há um esquema de corrupção no governo, algumas declarações partiram do vice-governador, que é o segundo na organização política do DF…

Há falta de cuidado do vice-governador Renato Santana em algumas declarações. A gente percebe um despreparo para lidar com a situação. O cargo que ele ocupa não condiz com as declarações. Ele sempre teve muito espaço no governo e acho que ninguém pode falar que faltou confiança da parte do Rodrigo (Rollemberg).

As declarações abrem uma crise no Palácio do Buriti?
Causam desconforto. Ele deveria ter um pouco mais de cuidado antes de comentar certos tipos de assuntos, principalmente quando insinua algo contra o governo que ele representa e ajudou a eleger.

Como você acha que será possível emendar esse desconforto, em um cenário que não se sabe o que está por vir?
A cada dia, ouvimos mais boatos. Prova, que é bom, até agora, não vimos nenhuma. Acho que o tempo é importante e vai ajudar. O princípio da política é o diálogo e é preciso que haja muita conversa. PSB e PSD têm trabalhado para manter a aliança. Preciamos aguardar o desenrolar desse processo das gravações e seguir adiante.

Você, enquanto presidente do PSB, já tratou do assunto com o Rosso, que dirige o PSD no DF?
Ainda não. O governador tem mantido conversas, mas eu não tive oportunidade de tratar do assunto com ele. Nesta semana, vamos organizar uma conversa entre os partidos.

A fala do vice-governador, nos áudios, se parece muito com o discurso da oposição, de que, até agora, o governo Rollemberg não conseguiu fazer nem o básico. Que leitura você faz disso?
Acho que é do despreparo do vice, por não ter tido experiência maior e não esteja conseguindo conviver com essas situações. São falas que não contribuem para o trabalho que estamos tentando realizar, que é colocar o DF no rumo certo.

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