Ana Ferreira
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Confusão entre moradores e a Polícia Militar marcou a derrubada dos barracos de madeira e de alvenaria nos Conjuntos 5 e 6 da QR 1033 e no Conjunto 3 da QR 1031, em Samambaia. Por volta das 10h30 desta terça (7), uma operação realizada em conjunto por diversos órgãos do Governo do Distrito Federal (GDF) retirou 56 famílias que ocupavam a região de forma irregular.
Durante a manhã, na tentativa de impedir a ação, os invasores atiraram pedaços de pau e de madeira contra as equipes que atuavam no local. Para conter os ânimos, a PM utilizou gás de pimenta e bombas de efeito moral. Um policial ficou ferido no braço após ser atingido por uma pedra. Alguns invasores também chegaram a se ferir durante a confusão. Ninguém foi preso.
Apesar da resistência, a ação de derrubada foi concluída no início da tarde. Os moradores continuaram no local na tentativa de encontrar algum pertence pessoal deixado para trás. Por volta das 14h, os invasores voltaram a protestar contra a derrubada. Utilizando colchões, madeira e pneus, eles bloquearam, por cerca de 30 minutos, as duas mãos da DF-180, que dá acesso à região. Eles ainda atearam fogo na vegetação que fica em torno da via para impedir que os carros circulassem no perímetro. A PM e o Batalhão de Policiamento de Choque foram acionados e, novamente, a situação foi controlada.
Os moradores do local reclamaram que as equipes de segurança agiram de forma agressiva. “Ninguém avisou nada para a gente. Chegaram quebrando tudo, sem nem nos deixar retirar, ao menos, os nossos pertences”, afirmou uma morador do local que não quis se identificar.
A representante dos moradores, Michelle Nascimento, de 29 anos, está na região desde setembro de 2015. Ela contou que vive no local porque perdeu a moradia e, apesar de inscrita no programa habitacional do governo, nunca conseguiu ser beneficiada.
“Tenho cadastro há quatro anos e já entreguei toda a documentação solicitada. Vários dos meus colegas estão na mesma situação. Se essa área é destinada a moradias, porque não conseguimos o que precisamos?”, questionou.
Saiba Mais
A Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedest) informou que os agentes realizaram 34 abordagens com as famílias, mas nenhuma aceitou abrigo ou auxílios oferecidos.
Terreno
A Agência de Fiscalização do DF (Agefis) informou que as três áreas que foram invadidas pertencem à Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap), sendo dois lotes destinados a programas habitacionais pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF (Codahb) e um para a construção de uma creche.
Um mapa da Codahb, apresentado pelos moradores ao Jornal de Brasília, mostra que cada lote da QR 1033 deveria receber 28 moradias. Segundo a pasta, os terrenos que foram desocupados são destinados à nova política habitacional do DF, o programa Habita Brasília, e, a partir de amanhã, serão iniciados os levantamentos topográficos da área para que, posteriormente, possam ser iniciadas as obras.