Da Redação
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Dizem que para o amor não existe idade e, felizmente, não existe também um prazo de validade. A cada ano de casamento são comemoradas as bodas – de papel, de algodão, de ouro, de carvalho e outras – e, na próxima terça-feira, Joaquim Alves da Silva e Raimunda Luiza de Almeida celebram sete décadas de união, Bodas de Vinho. Lado a lado, os dois dividem uma vida repleta de amor, algumas dores e um grande leque de histórias para contar. Questionados sobre o segredo para uma união tão longa, eles revelam: “Respeito é bom e conserva o casamento”.
A história do casal começou na cidade onde ela nasceu, no município de Curvelo, em Minas Gerais. Os dois se conheceram quando a mãe de Raimunda, já viúva do segundo marido, passou a trabalhar na fazenda onde Joaquim era peão. Mas não foi amor à primeira vista. “No início eu não gostava dele, não queria namorar”, relata ela, que na época tinha 14 anos. Já Joaquim, assim que a viu correu para presentear a jovem moça, e com flores demonstrou que havia se apaixonado. “Quando ele me pediu em namoro, eu não quis de primeira, não”, comenta. “Eu tinha outras paqueras”, brinca.
Apaixonado e decidido, Joaquim resolveu ir à casa de sua nova paixão para, então, pedi-la em casamento. “Foi tudo muito rápido, não deu tempo nem de paquerar, namorar, nada. Ele foi lá em casa e me pediu em casamento para os meus pais. Achei aquilo tão bonito que aceitei”, conta ela, sorrindo.
Os dias não são sempre tranquilos, mas Raimunda é objetiva: “Quando um está com raiva, o outro deve ficar calmo, senão dá briga”. Sabedoria simples, do alto de seus 86 anos. Ao longo das décadas, o casal já passou por muitas dificuldades, e algumas perdas. “Nós tivemos 12 filhos, seis deles já se foram. Foi muito ruim, mas nós conseguimos continuar. Já comemos muito sal juntos”, lembra ela, com carinho. Os obstáculos, no entanto, ajudaram a reforçar o amor entre os dois, que se reflete na família numerosa que têm hoje: dos filhos vieram 23 netos, 14 bisnetos e um trineto.
Criar os filhos e ainda administrar a mudança para o lugar onde seria construída a nova capital não foi nada fácil. Além de cuidar dos filhos, da casa e do marido, Raimunda também trabalhou como doméstica para ajudar em casa. “Quero saber se tem alguma mulher hoje em dia com a coragem de aguentar a situação que aguentei”, orgulha-se.
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