Uma medida adotada pelo Decanato de Ensino de Graduação (DEG) da Universidade de Brasília deve acabar com a prática de alguns alunos: passar em novo vestibular para “limpar” o histórico de reprovações. Agora, more about mesmo aprovados em novo processo seletivo, story as antigas notas serão mantida no currículo.
“Verificamos que um número excessivo de alunos fazia novos vestibulares para o mesmo curso”, conta Márcia Abrahão Moura, decana de Graduação. Segundo ela, somente em 2008, 200 estudantes que já pertenciam à UnB concorreram a novas vagas na instituição – 50 deles para a mesma graduação. “São vagas que deixam de ser preenchidas por gente que ainda está fora da UnB”, lamenta.
A prática é comum principalmente entre alunos dos cursos de Exatas, que têm limites de reprovações em algumas disciplinas, como Cálculo. Para o presidente do Centro Acadêmico de Matemática, Diego da Silva Neres, a medida vai forçar os alunos a estudar mais. “Os cursos de Exatas são muito difíceis. É comum os alunos tirarem notas ruins ou até reprovarem”, diz. O universitário concorda que a mudança vai evitar que quem já está na UnB ocupe vagas de quem ainda quer entrar na instituição.
Márcia Abrahão conta que, a partir de agora, quem prestar vestibular para o mesmo curso terá todo o histórico anterior mantido. “Por que só retirar as reprovações e deixar as aprovações? Isso não tem embasamento legal e nem é justo”, avalia. De acordo com a decana, a omissão de uma parte da vida acadêmica anterior do aluno cria um “histórico irreal”. “Não tem porque esconder o passado, colocar a sujeira debaixo do tapete”, afirma a professora.
AVALIAÇÃO – Para Vinicius Costa e Silva, presidente do CA de Engenharia Mecatrônica, a medida é bem vinda, mas precisa vir acompanhada de mudanças no sistema de avaliação dos alunos. “Há pessoas que reprovam por culpa de professores ruins, que não sabem transmitir o conteúdo de forma adequada e depois querem cobrá-lo”, acusa.
O estudante, que está no 10º semestre, diz que a forma de avaliação nos cursos de Exatas nem sempre reflete o preparo do estudante. “Muitas vezes o aluno está sobrecarregado, e é difícil manter o nível das notas, principalmente quando se pega um professor que não faz uma cobrança coerente”, pondera.
A decana de Ensino de Graduação diz que a medida “não é punitiva”, e promete mudanças para aperfeiçoar a avaliação dos alunos. “Pretendemos melhorar a orientação acadêmica e o envolvimento dos docentes nessa etapa”, diz Márcia.
Na opinião do presidente do CA de Engenharia de Redes, Rafael Vicente Rosa, a decisão do DEG vai exigir que o aluno repense seu currículo a cada semestre. “Será preciso articular melhor as disciplinas para não pegar matérias demais e acabar se sobrecarregando”, avalia.