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Brasília

Renúncia do papa causa surpresa nos brasilienses

Arquivo Geral

12/02/2013 8h00

Daniel Cardozo

Especial para o Jornal de Brasília


Surpresa foi a palavra mais pronunciada por aqueles que comentavam a renúncia do papa Bento XVI. As opiniões dos fiéis se dividiram entre os que concordaram com a decisão do sumo pontífice e quem acreditava que a troca de comando só deveria ocorrer com a morte do chefe da Igreja Católica. A maior parte dos católicos se mostrou empolgada com a possibilidade de escolha de um brasileiro para o posto.

 

O porta-voz da Arquidiocese de Brasília, padre José Émerson Barros Cabral, afirma que a decisão de renúncia pegou até os integrantes da Igreja Católica de surpresa. A confirmação da notícia veio apenas às 9h, pouco depois de começaram a ser publicadas as primeiras notícias sobre o assunto. 

 

“Não saiu nada oficial do Vaticano diretamente para a gente. Só consegui confirmar em um telefonema para o ex-arcebispo de Brasília, dom João Braz de Aviz, que está em Roma”, revela.

 

Demora


De acordo com o porta-voz, a definição do nome do novo Papa pode se arrastar por muito tempo. “Quando João Paulo II morreu, a escolha demorou mais ou menos um mês, mas isso não é regra e pode ser que demore mais”, explica.

 

A surpresa foi o fator predominante na opinião dos fieis. Mesmo assim, o estudante Marcelo Vieira foi solidário com a decisão de Bento XVI: “Acho que ele foi humilde e sincero. Se, no ano da Jornada Mundial da Juventude, ele viu que não suportava e renunciou, fez bem. Agora, todos os católicos devem rezar por ele”.

 

Mas a notícia também foi recebida com desconfiança por alguns católicos. “A decisão dependeu dele, mas acredito que deve ter tido algum motivo que não pode ser divulgado”, afirma o aposentado Antônio Ferreira.

 

CNBB acena com um nome inesperado

 

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),  dom Raymundo Damasceno, disse que a Jornada Mundial da Juventude, que se realizará no Rio de Janeiro entre os dias 23 e 28 de julho deste ano, manterá sua programação e contará com a visita do novo Papa. Uma surpresa na escolha do novo líder da Igreja não está descartada, segundo ele.

Em entrevista na cidade de Aparecida (SP), dom Raymundo enfatizou que o trabalho da Igreja terá continuação e a linha conservadora será mantida. “Estamos subordinados à palavra de Deus, com toda a fidelidade”, comentou.

 

Cinco cardeais brasileiros são elegíveis ao papado, mas dom Raymundo não arriscou palpites. Para ele, não há critérios explícitos para a escolha de um novo líder da Igreja Católica no Mundo. “Temos que escolher o que é melhor para a Igreja e para o Mundo”.

 

Desafios


“São muitos os desafios nos dias de hoje. Estamos passando por uma mudança de época e não época de mudanças. Uma mudança muito mais profunda”, avalia o presidente da CNBB. “Se fosse um brasileiro, seria realmente totalmente novo na história do pontificado”, afirmou ao comentar sobre a possibilidade de um brasileiro vir a ser o novo Papa. “Pode haver grandes surpresas”, pontuou. Dom Raymundo descartou uma linha menos conservadora dentro da Igreja com a sucessão de Bento XVI.

 

Chance de atrair fiéis

 

O último chefe da Igreja Católica não-europeu foi Gregório III (731-741/DC), nascido na Síria, e desde então, não houve um papa de fora da Europa. Dos 265 sumos pontífices já empossados, apenas dez eram de outros continentes, mas até hoje nem América nem Oceania tiveram representantes.

 

A possível escolha de um Papa brasileiro poderia atrair mais fieis para a igreja, segundo José Emerson Barros Cabral. “Poderia haver uma aproximação do Brasil com o catolicismo. Com certeza, se o novo papa fosse brasileiro, o Brasil se voltaria mais para a igreja”, acredita. 

 

A decisão de Bento XVI representou um desapego ao cargo, segundo o padre Renato de Jesus Coelho, que ontem participava do Rebanhão. “Sempre esperamos que o papa fique até quando morrer, mas já aconteceu antes na história. Até mesmo porque o Vaticano exige que isso aconteça. Talvez tenha sido precipitado”, conta. 

 

Mesmo assim, para o pároco do Setor O, a reputação de Joseph Ratzinger não deve ficar comprometida. “Nós da Igreja Católica não temos esse tipo de prejuízo. Temos que fazer um agradecimento a ele por ter aceitado a missão, até porque o papa é escolhido pela vontade de Deus”, concluiu.

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