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Brasília

Religiosos celebram a força da doutrina

Arquivo Geral

30/11/2012 9h00

Soraya Sobreira

soraia.sobreira@jornaldebrasilia.com.br


A população evangélica cresce expressivamente e demonstra sua força no Distrito Federal. Em dez anos, o número de seguidores desta religião cresceu 72%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o Conselho de Pastores do DF (Copev) o feriado de hoje, Dia do Evangélico, é, principalmente, uma forma de celebração deste percentual. 

O pastor Josimar Francisco da Silva, presidente do Copev, avalia que o aumento da busca pela conversão à religião se dá pela procura por mais qualidade de vida.  “Nossa missão é reintegrar pessoas que chegam muitas das vezes no fundo do poço. Por meio do evangelho de Cristo, é possível ter uma nova vida”, avalia.

 De acordo com o IBGE, em 2000, eram 400 mil evangélicos no DF.  Em 2010, este número saltou para 690 mil.  Na avaliação da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), a religião prevalece entre os mais jovens. “Isto porque os tradicionais permanecem com a sua religião, no caso, a de maior expressão no País, que é o catolicismo. Mas é possível notar que há um número expressivo de evangélicos”, avalia Iraci Peixoto, economista e responsável pela área de pesquisa.

 

Mudança 

 

Faz sete meses que a dona de casa Francisca Lima, 26 anos, se converteu à religião. Ela veio de uma família católica. “Embora meus pais se denominassem católicos, nós nunca estávamos presentes nas reuniões. Antes, tinha pavor de evangélico, não gostava nem que chegasse perto de mim. Uma vez cheguei até a fechar a porta de casa na cara de uma pessoa que veio falar de religião”, relembra. 

 

A opinião da dona de casa mudou quando uma colega a convidou para visitar uma igreja. “Fui sem vontade, mas quando cheguei lá fui surpreendida. Tudo vinha ao meu encontro. Quando o pastor fez o pedido, eu aceitei”, diz Francisca, considerando que possui uma nova história de vida. “Eu, meu marido e meus filhos estamos vivendo melhor. Meu esposo ainda não é evangélico, mas até o comportamento dele está diferente”, comemora.

 

A doméstica Graciela Pereira, 31 anos,  se tornou evangélica aos 18 anos, mas depois de um tempo resolveu deixar a religião de lado. “Na época, eu fui por decisão própria, mas como tive que renunciar muitas coisas para seguir a doutrina, acabei me desviando e permaneci assim por 12 anos. Mas há dois anos resolvi voltar”, detalha. 

 

 No tempo em que ficou fora, ela relata ter passado por muitos conflitos sem saber como resolvê-los. “Hoje, sei que os problemas continuam, a diferença é que tenho alguém com quem posso contar”, afirma Graciela. 

 

Pessoas com diferentes histórias que levaram a seguir a doutrina se reúnem hoje e amanhã na Esplanada dos Ministérios. O GDF organizou vários shows (veja a programação abaixo).

 

Programação


A Esplanada será palco de vários shows hoje e amanhã, a partir das 14h. Entrada é franca e a classificação, livre. Confira o cronograma:

 

Hoje


14h Banda 321

15h  Renovo

16h DD Junior e Karen Numan

17h  Metal Nobre e Passageiros de Cristo

18h Salz Banda e Ministério IPR Brasil

19h  Rodovalho com a banda Clamor Brasil e Lohanna Camargo

20h PG

21h  Fernanda Brum

22h Waguinho 

23h  Damares

 

Amanhã


15h Daniel Magalhães e Xote Santo

16h Ana Quesia 

17h  Clovis Ribeiro

18h Junior Neguebe 

19h Louva Deus

20h Provérbio X

22h Jotta A

22h30 Kleber Lucas

 

Regiões pobres predominam


Dados da Codeplan revelam que os evangélicos no Distrito Federal residem essencialmente nas regiões de menor poder aquisitivo. Na Estrutural, eles são 44,8% da população; no Varjão, 38,43%; e no Itapoã, 36,74%. Já em Brasília, os evangélicos compõem 27,93% do total de moradores. O percentual inclui os evangélicos tradicionais e os pentecostais, que são religiões renovadas. Nas regiões de maior poder aquisitivo prevalecem os católicos como, por exemplo, no Lago Sul (73,64%). 

 

A estudante Luciana Dias, 24 anos, é evangélica há três anos, embora a família seja católica. “No inicio, meus pais pegavam mais no meu pé, dizendo que eu não ia permanecer nem um mês. Até hoje eles têm preconceito”, conta. Segundo a jovem, o que a atraiu ao evangelho foi o amor ao próximo. “Jesus ensina amar o próximo como a si mesmo. Isto é muito acolhedor, pois se aceita as pessoas como elas são”, afirma. 

 

Na avaliação da estudante, o brasileiro ainda tem uma resistência ao segmento. “Esta data é um espaço conquistado e ainda temos mais a conquistar. Os evangélicos não pregam religião e, sim, Jesus”, destaca.

 

De acordo com o Conselho de Pastores (Copev), no DF existem cinco mil templos. “A facilidade de se abrir uma igreja é uma explicação para isso. Não existe um órgão de controle, como nas igrejas católicas. Assim, há também aqueles que se autodenominam pastores sem ter passado sequer pelo curso de teologia, formação que é recomendada”, informa Josimar da Silva, presidente da Copev. Em 2020, a previsão do conselho é de que os evangélicos sejam metade da população do DF e no Brasil.

 

“QUEBREI BARREIRAS”


Os 45 anos como evangélico  incentivam o empresário Joaquim Neves, 77 anos, a continuar na caminhada. “Considero-me muito mais do que feliz”, resume. Ele relembra sua história dizendo que veio de uma vida bagunçada: “Vim pela dor e permaneci pelo amor, inclusive, quebrei barreiras sendo o primeiro na minha família, depois minha mãe e irmãs também se renderam ao evangelho”, conta.  Joaquim é casado há 53 anos e tem um filho  que, segundo ele, é a concepção de um milagre. “Tive câncer de próstata e não podia ter filhos. Até que um dia recebi a promessa de Deus de que seria pai. Meses depois, minha esposa engravidou e fui curado”, comemora. 

 

Ponto de Vista

 

O professor de filosofia pela Universidade de Brasília (UnB) Agnaldo Cuoco Portugal afirma que há várias tentativas de se explicar o crescimento desta religião. “O evangelho renovado surgiu ainda no século XVI com a Reforma Luterana. Este movimento iniciou um período chamado de mundo moderno. Isto significa dizer que a religião evangélica é bem adaptada à modernidade, enquanto a católica, por ser mais tradicional, não conseguiu com a mesma rapidez atrair novos seguidores”, argumenta. Muitas das religiões tradicionais, segundo o professor, estão tendo de se reciclar. “O Brasil é um país que vem se modernizando muito a partir do século XX,  e tem sido considerado um dos celeiros do evangelho. Mas  não podemos garantir que este crescimento tende a continuar”, diz.

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