O assassinato de Ana Lídia, em 1973, guardaria forte relação com o tráfico de drogas já que o grupo suspeito do assassinato seria composto por viciados, como Duque, que chegou a confirmar a informações durante depoimentos. Durante o trabalho de investigação, ainda foi cogitada a hipótese de que os assassinos estavam sob o efeito de drogas, mas nada foi apurado e nem qualquer exame foi realizado nesse sentido, o que reforça ainda mais a idéia de que não se queria realmente apurar o crime.
Todos esses pontos são reforçados pelo momento político conturbado que se vivia na época. Os documentos de acesso público passavam pela análise dos militares. Para respaldar ainda mais as suspeitas a respeito do caso, o pai de Alfredo Buzaid Júnior – um dos suspeitos – era responsável pela censura no Brasil, sendo ministro da Justiça. Já o pai de Eduardo Rezende, outro possível suspeito apontado pela polícia, era Eurico Rezende, senador. Ambos poderiam controlar diretamente tanto a investigação quanto a veiculação da imprensa.
O caso foi acompanhado diretamente pelo ministério da Justiça, que instaurou o inquérito. Anos depois do acontecimento, em 1985, foi feita nova investigação alegando que não havia sido feito um trabalho cuidadoso na época. Apesar da tecnologia já existente, o crime se manteve impune já que não houve conservação das poucas provas do caso.
Na época, digitais no corpo da criança não foram retiradas; não houve comparação entre o esperma encontrado na vítima e o dos suspeitos; não foram procuradas as poucas farmácias para saber quem teria comprado camisinhas, já que seu uso na época era muito restrito; não foi feito exame grafotécnico entre a caligrafia da carta e dos acusados; não foram checados os álibis dos suspeitos.
As marcas de pneus de moto e das botas ao lado do corpo não foram coletadas e as pessoas que viram a menina ser levada, só foram ouvidas mais de um ano após o crime.
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