Carlos Carone e
Francisco Dutra
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Relatos estarrecedores de abortos fazem parte do inquérito montado ao longo das investigações que culminaram na prisão de Márcio Gomes da Silva. A polícia monitorou todos os contatos que ele mantinha com jovens que compraram o abortivo. As conversas entre as meninas e o traficante chocaram investigadores. Uma das jovens, de 22 anos, utilizou o Cytotec quando já estava com uma gestação avançada. No diálogo flagrado pela polícia, a jovem relata a Márcio que conseguiu abortar, entretanto, o remédio expulsou o feto de seu útero ainda vivo. Assustada, a jovem contou ao traficante que o bebê, que já estava formado, ainda mexeu durante cerca de 15 minutos antes de morrer.
Em um segundo trecho, o traficante conversa com a sua mulher, que o ajudava a revender os abortivos sobre o caso da menina que expeliu o feto vivo: “Ela não aguentou, entendeu? Chamou o Samu, o Samu levou ela. O médico alegou porque a idade avançada deve ter descolado e perdeu, assim. Ela tá chocada, entendeu?… Ela falou: ainda bem que você, a Milene me falou pra eu esperar isso, mas eu tô ruim, eu tô mal, o feto”. O diálogo mostra que a jovem foi levada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o hospital logo após abortar. O médico que atendeu a paciente contou que houve um descolamento do colo do útero, que acabou resultando no aborto.
Sobre o caso específico da menina, a delegada da Decon, Suzana Machado, afirmou que trata-se de homicídio. “Infelizmente, não conseguimos identificar, até o momento, quem é a menina que fez esse aborto tão perigoso. Como o bebê nasceu vivo e morreu, esse fato seria qualificado como assassinato, com pena prevista de 15 a 30 anos de prisão”, afirmou a delegada. O monitoramento do cotidiano do traficante, que passava o dia conversando e negociando a venda dos medicamentos, sempre com jovens humildes e com faixa etária entre 16 e 22 anos, é repleto de relatos trágicos.
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