A Secretaria de Recursos Humanos da UnB vai fechar a folha de pagamento dos servidores docentes e técnicos com o valor referente à URP nos salários. O arquivo deve ser enviado ao Ministério do Planejamento até a próxima quarta-feira, 17 de março. O MPOG tem até a sexta, 19, para processar a folha. No mesmo dia, servidores técnicos e docentes farão uma carreata até o ministério para cobrar o devido repasse da URP.
Os três segmentos da UnB fazem assembleias, nesta terça-feira, para definir os rumos da mobilização. Os servidores técnicos decidem às 9h, na Praça Chico Mendes, se aderem à greve. “Vamos levar a proposta de deflagração à categoria. A decisão do TRF (leia mais aqui) nos deixou em pé de igualdade com os professores, que também têm uma decisão judicial ameaçada”, afirmou Cosmo Balbino, um dos coordenadores do Sintfub.
A assembleia dos professores está marcada para as 9h, no Anfiteatro 9 do ICC Sul, e a dos estudantes, ao meio-dia, no Ceubinho. “Tivemos uma participação boa na abertura da calourada hoje e acredito que os estudantes vão comparecer à assembleia”, disse Raul Cardoso, coordenador-geral do DCE. Os estudantes percorreram o campus Darcy Ribeiro, nesta segunda, e encontraram apenas duas salas com aula: uma nos pavilhões e outra no Minhocão.
Representantes do comando de greve manifestaram indignação com um artigo publicado pela direção da ADUnB nesta segunda no jornal Correio Braziliense. O texto, sob o título Autonomia e crise na UnB, acusa a Reitoria de não agir na luta pela defesa da URP e se submeter “aos ditames dos burocratas” do governo federal.
“Esse tipo de discórdia com a Reitoria não nos fortalece. Não existe crise de gestão na UnB, isso aconteceu em 2008, na época da saída do ex-reitor Timothy Mulholland”, afirmou o professor Cícero Lopes da Silva, da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária. “Atacar a Reitoria como se ela fosse responsável pelos cortes da URP não nos ajuda no momento”, completou o professor Rodrigo Dantas, do Departamento de Filosofia.
O professor Claus Akira, do Departamento de Matemática, questionou por que um artigo que deveria dar visibilidade à greve sequer falou da redução salarial de 26,05%. Os docentes também reclamaram da falta de cartazes informando a paralisação e o encaminhamento dado às decisões do comando de greve. “Pouco importa qual foi a determinação do comando, a direção da ADUnB faz o que bem entende”, acusou Rodrigo Dantas.
Durante a reunião desta segunda, o presidente da ADUnB, professor Flávio Botelho, tentou impedir o trabalho da Secretaria de Comunicação da UnB, questionando a presença da repórter no encontro do comando de greve. Botelho argumentou que a Secom cobriu de forma equivocada a crítica de representantes do comando à atuação da entidade na semana passada (leia mais aqui). A maioria dos professores, no entanto, defendeu a liberdade de imprensa e continuidade da reportagem no local.
Na assembleia de amanhã, os professores vão discutir ações para o fortalecimento da greve e o apoio ao ato que será realizado em frente ao MPOG na próxima sexta-feira. Os docentes também planejam a publicação de uma nota de esclarecimento sobre a participação de recém-contratados na paralisação. Os representantes de unidades acadêmicas afirmam que os poucos colegas que não aderiram são novatos e temem represálias por estarem em estágio probatório.
O envolvimento de alunos e professores dos novos campi também foi tema da pauta do comando de greve. Representantes das unidades de Planaltina e Gama relataram que o envolvimento é de 100%. “A gente percebe que esse é também um momento de formação dos nossos estudantes”, ressaltou a professora Mônica Nogueira.