Reitores das universidades federais brasileiras querem alavancar a pós-graduação no país. A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) apresentou nesta terça-feira (11), plano de apoio à ampliação dos cursos de mestrado e doutorado – o PAPG/IFES. A meta dos reitores é aumentar em 80% o número de estudantes de pós até 2012 e reduzir as disparidades regionais. O projeto foi levado ao ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende.
A proposta da Andifes se baseia em levantamento realizado nas pró-reitorias de pós-graduação das universidades federais. Segundo o estudo, o Brasil tem hoje 1.117 cursos de mestrado e 638 de doutorado. Ao final de quatro anos, os reitores querem aumentar esse número para 1.761 cursos de mestrado e 1.161 de doutorado. A quantidade total de estudantes passaria dos atuais 64.626 para 116.618. “Recebemos muito bem a proposta. É provável que o plano nacional da pós seja lançado em novembro, em parceria com o Ministério da Educação”, disse Antônio Ibañez Ruiz, secretário adjunto do Ministério de Ciência e Tecnologia.
Para atingir a ambiciosa meta, o governo teria de investir cerca de R$ 1 bilhão por ano – R$ 4 bilhões até 2012. O presidente da Andifes, Alan Barbiero, explica que parte dessa verba já existe, mas está pulverizada em programas governamentais sem o foco do PAPG/IFES. “Queremos qualificação, investimento e crescimento da pós-graduação brasileira. Qualificação e investimento já existem em ações governamentais. Para a expansão, será preciso acréscimo financeiro. O CNPq e a Capes farão o levantamento dos recursos necessários”, disse Barbiero.
A proposta da Andifes também fortaleceria o Reuni, o plano de reestruturação e expansão das universidades federais. “Essa nova política representa uma maneira de aprimorar ainda mais o Reuni, com a inserção de mais pesquisadores nas universidades”, comentou o reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Junior. Ele reforçou que institucionalização de um programa para a pós também evitaria desvio de foco durante o ano eleitoral.
Falhas
Entre os principais problemas da pós-graduação brasileira apontados pela Andifes, está a formação de mão-de-obra qualificada em todas as regiões brasileiras. Para se ter uma ideia, só na Universidade Federal de Minas Gerais há mais cursos de doutorado do que em toda a região Norte. O presidente da Andifes esclarece que o PAPG/IFES vai atuar na redução das desigualdades regionais e entre as áreas do conhecimento. Mas a proposta será trabalhada de forma compatível com a política nacional industrial. “Como houve a abertura de novos campi no interior do Brasil, precisamos agora fixar os doutores nessas cidades”, ressaltou Alan Barbiero.
Outro tema discutido nesta terça-feira com representantes do Ministério da Educação foi a publicação do Decreto da Autonomia Universitária. O conselho pleno da Andifes vai se reunir entre os dias 18 e 19 de agosto para consolidar as propostas sobre o tema. O resultado da discussão deve ser levado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro. Lula já sinalizou no primeiro semestre interesse em resolver a situação da autonomia e dos hospitais universitários.