O reitor José Geraldo de Sousa Junior pediu à Polícia Federal que investigue as invasões em sites da Universidade de Brasília ocorridas desde a madrugada do último dia 25. A UnB pede que os responsáveis sejam identificados e punidos conforme o artigo 265 do Código Penal brasileiro, que trata de atentados “contra a segurança ou funcionamento de serviço de água, luz, força ou calor, ou qualquer outro de utilidade pública. A punição prevista é de reclusão de um a cinco anos e multa.
O documento do reitor foi encaminhado ao delegado Carlos Eduardo Miguel Sobral, chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da PF, com sede em Brasília. José Geraldo informa que as pistas deixadas pelo invasor e levantadas pelo Centro de Informática da UnB imediatamente após a identificação do primeiro ataque, que atingiu a página de entrada do Portal da UnB, estão à disposição da PF para ajudarem nas investigações.
A invasão da primeira página do Portal foi a primeira registrada nas páginas da UnB na internet, mesmo período em que aproximadamente 200 sites do Governo Federal, prefeituras e órgãos municipais também sofreram ataques. Na manhã desta terça-feira, as páginas da Faculdade de Comunicação e do Campus Online, hospedadas em servidores particulares, fora da UnB, também foram invadidas e tiveram de ser retiradas do ar para evitar o bloqueio. “No caso dos sites da FAC e do Campus Online, mesmo estando hospedadas em servidores externos à UnB, o serviço atingido é de utilidade pública e, portanto, deve ser também objeto de investigação”, afirmou o reitor à UnB Agência. “Do ponto de vista tecnológico, não há correlação com os servidores mantidos pela UnB, mas estamos adotando todas as providências para garantir ainda mais segurança aos nossos sistemas”, comentou o diretor do CPD da UnB, Jacir Bordim.
MODIFICAÇÕES
O ataque ao Portal da UnB durou 26 minutos, tempo suficiente para que o invasor modificasse as chamadas das notícias “por meio de sátiras ao conteúdo original”, segundo relatado pelo reitor no ofício à PF.
Ao perceber que se tratava de um ataque, a equipe do CPD retirou a página do ar para impedir a continuidade das modificações feitas pelo cracker, pessoa que invade páginas com o propósito de explicitar o sucesso da invasão. Em geral, fazem piadas durante o ataque para evidenciar isso. Já o hacker é aquele que invade sistemas sem fazer alarde, roubando dados e informações discretamente. O termo também é usado para designar programadores altamente qualificados e que utilizam todo o seu conhecimento para melhorar softwares de forma legal.
A página da UnB voltou ao ar às 19h. Durante esse período, a equipe trabalhou na coleta de informações sobre a invasão e na retomada da publicação com segurança. De acordo com a direção do CPD, o ataque se restringiu à página de entrada, não afetou outras áreas de informações da universidade, nem os invasores tiveram acesso a quaisquer dados de sistemas de uso interno, como os de matrícula e de pessoal. No caso dos sites da FAC e do Campus Online, o conteúdo das páginas foi substituído por uma máscara de gás.