Fábio Magalhães
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A precariedade dos registros de terras e imóveis é uma herança negativa que o Distrito Federal carrega desde a sua criação. Por causa da imprecisão das demarcações e dos títulos, pessoas mal-intencionadas encontram brechas para pleitear na Justiça a propriedade sobre determinadas áreas. Essa prática, no entanto, pode ser coibida com a criação de um cadastro único de registro de imóveis que, informatizado e com recursos tecnológicos avançados, é cotado como uma das grandes apostas para acabar com a grilagem de terras decorrente da falta de informações sobre propriedades. É o que mostra hoje a série Um Basta na Grilagem.
No governo, entretanto, não existe qualquer movimentação para tornar realidade esse desejo de quem lida diariamente com registro de terras. Porém, os cartórios de registro imobiliário trabalham com esforço concentrado em torno da criação de um cadastro que permitirá aos registradores ter mais informações acerca de determinadas áreas e seus títulos.
Conforme explica o juiz titular da Vara do Meio Ambiente do DF, Carlos Divino Vieira, muitos títulos antigos são imprecisos e deixam brechas para a ilegalidade. Ele afirma que há muitas ações judiciais envolvendo questionamentos por causa da falta de informações dos documentos: “Os registros malfeitos permitem esses artifícios e as tentativas de grilagem por meio de deslocamento de títulos. Temos várias situações no DF nas quais a ocupação é feita por alguém com base em um título que não se refere àquele lugar”.
Oficial substituto do cartório de 2° Ofício de Registro de Imóveis do DF, Antônio Bastos cita como locais de imprecisão de títulos cidades como Paranoá e São Sebastião. Onde existiam fazendas, ergueram-se enormes cidades que agora são objetos de ações provocadas pelo GDF para desapropriação de terras particulares. “Estas são cidades não titularizadas e até hoje ainda não foi feita a desapropriação”, explica.