Fabiana Mendes
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“Aquilo me dá enjoo. É uma obra péssima, tratada com descuido e descaso”, disse Carlos Magalhães, representante em Brasília do arquiteto e autor da obra, Oscar Niemeyer. Ele refere-se a reforma do Palácio do Planalto, que tem provocado alguns questionamentos desde fevereiro, quando deveria ter sido entregue.
A colocação das pedras portuguesas, remendos, furos no piso de madeira e um espelho que, segundo Carlos, distorce a imagem, são alguns dos erros cometidos. “Mas a maior gafe foi a escolha da comissão. Tem gente que acha que reformar um patrimônio tombado é responsabilidade para um mestre de obras e não de um arquiteto e engenheiro”, lamenta. De acordo com ele, uma carta, citando várias falhas na obra de restauração, foi entregue à Presidência da República. “Fui ignorado e as obras continuam do mesmo jeito”.
O representante de Niemeyer foi além e fez uma comparação dizendo que a comissão da obra do Palácio do Planalto é comandada pelo técnico da seleção brasileira. “O Dunga é quem está no comando e os operários são os jogadores. O resultado disso já sabemos qual é”.
A reportagem do Jornal de Brasilia procurou a Presidência mas não obteve autorização para visitar o Palácio do Planalto. De acordo com a assessoria, será marcado um dia para a visita da imprensa, mas antes disso ninguém poderá entrar no local.
O superintendente do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional(Iphan), Alfredo Gastal, disse que, assim como em toda grande obra, erros acontecem. Ele ressaltou ainda que acompanha de perto a execução da obra. “O escritório do Niemeyer aqui de Brasília também visita regularmente. Estive com Carlos lá no Palácio há menos de um mês e ele, assim como eu, está a par das correções necessárias”.
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