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Brasília

Rapaz que nasceu com 96% das funções cerebrais comprometidas é prova de superação e precisa de ajuda

Arquivo Geral

26/02/2011 18h45

Renata Rios

renata.rios@clicabrasilia.com.br

 

O salário mínimo acaba de ser aumentado para R$ 545,00 reais, o que é pouco para manter uma família. Pode parecer ainda menos, dependendo da necessidade de quem recebe este valor. É com isso que Verli Rosa da Conceição, carinhosamente conhecida como “ Li”, cria seus dois filhos, Wilian da Conceição Neves, de 16 anos, e Ailton Júnior da Conceição Neves, 19 anos. Porém mais uma coisa dificulta a sobrevivência desta família que mora atualmente na cidade de Jardim Ingá (GO).

 

O primogênito de Verli nasceu com um problema mental e físico. “Juninho”, como ele é chamado pela família, tem 96% das funções cerebrais comprometidas, além disto, o rapaz tem as pernas atrofiadas e não consegue se locomover e nem sentar. É por causa deste problema que Verli recebe o valor de um salário minímo do governo. A mãe conta a historia sem perder o animo, reclama apenas que, devido aos cuidados necessários com o garoto, não pode trabalhar e complementar a renda escassa que mantem seu lar.

Júnior nasceu no dia 7 de abril de 1991. O menino, que logo completará seus 20 anos, não fala, não anda e nem sequer consegue mastigar. “É como cuidar de um recém nascido, tenho que alimentá-lo com sopas e caldos, por que ele não mastiga. Depois de comer coloco meu filho para arrotar, como se faz com um neném”, relata Verli. Passo o dia todo por conta dele. “Não posso trabalhar, pois o que receberia não é o suficiente para pagar alguém que cuide dele. Na verdade nem se pudesse pagar as pessoas cuidariam, a maioria tem nojo do meu filho”, conta.

A alimentação de Juninho deveria ser especial, mas a família não pode se dar ao luxo desta necessidade. “Se fosse para comprar os alimentos corretos para ele gastaria mais que um salário mínimo. Porém um salário é tudo que tenho para mim e meus dois filhos vivermos” , Verli desabafa. Mas não é só a alimentação de que o jovem tem de especial “compro por mês um pacote de fraldas geriátricas”, relata a mãe. Só para pagar as fraldas são destinado mais de um quarto do orçamento da família. “Durante a noite, se ele faz as necessidades, ele rasga as fraldas e come as fezes. Meu filho tem frequentes infecções intestinais por causa deste costume, e não sei como poderia impedi-lo”.

 
O irmão mais novo,  Wilian da Conceição, 16 anos,  sempre ajudou o irmão, e acabou ficando com sequelas de tanto carregá-lo nas costas. Verli conta que Wilian cuida de “Juninho” desde os setes anos de idade, e, por carregar o peso do irmão desenvolveu uma escoliose. “Ele sente muitas dores nas costas. Não o deixo mais carregar o irmão com a frequência de antes, mas preciso da ajuda dele, Juninho pesa mais de 50 kg e eu não dou mais conta de carregá-lo”, a mãe enfatiza. O peso do filho fez  a mãe deixar de levá-lo para o tratamento no Sarah Kubitschek. “Durante sete anos de o levava para a o Sarah, onde era tratado, mas não dava mais conta. Tive que parar, pois ele era muito pesado”, Verli relembra e ainda complementa “Quando parei os médicos me falaram que não teria grande diferença. Que em casos como o dele a físio não valia a pena”. Mas a parada da fisioterapia teve consequências. O menino tem as pernas totalmente atrofiadas, e segundo Verli, caso tentem mexer nos membros eles quebram com fragilidade. “As pernas já se deformaram tanto que uma delas se deslocou. Ele sente muita dor, chora muito por isso”,  lembra.

 
Mas não foi só quando grande que Juninho deu trabalho. “Quando meu filho nasceu ele passou 1 ano e 8 meses internado. Passei todo esse período no hospital, fui apenas duas vezes em casa”, Verli se lembra. “Não vi um familiar meu ou do pai dele naquele hospital, passei a morar lá e nem o pai do meu filho foi vê-lo. De tanto tempo que passei minha chinela acabou e andava descalça pelo prédio. Parecia uma mendiga”, ela ainda complementa e conta que devido à falta de apoio da família ela não tinha nada para fazer sequer a higiene pessoal. “Quando as enfermeiras chegavam para tratar do Juninho, me mandavam sair, pois não aguentavam meu cheiro. Eu não tinha um desodorante ou xampu para me lavar”.

 

Sedest

 
A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest) informou, por meio de sua assessoria que não há nenhum local da secretaria que o menino possa ser deixado para que a mãe trabalhe. Segundo a secretaria apenas crianças de 0 a 6 anos são contempladas com programas deste tipo. Caso verli deseje,  a secretaria sugere que ela procure um Centro de Referencia em Assistência Social (Cras), onde terá acompanhamento de um psicólogo para a família.

 

Se você se interessou pela história desta família e puder ajudar com materiais, como fraldas e alimentação,  ligue: 3623-1546 ou 9331-0706 ou ainda 8177-3062

 

Verli Rosa da Conceição

agência: 2437

conta: 013-00633288-2

Caixa Econômica Federal

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