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Brasília

Raio laser: uma brincadeira perigosa e até mortal

Arquivo Geral

02/10/2012 7h04

Johnny Braga
redacao@jornaldebrasilia.com.br

 

Os aeroportos estão em alerta. Um simples feixe de luz, emitido a partir de raio laser, pode causar um acidente aéreo. As ocorrências e queixas a partir de relatos de pilotos estão cada vez mais frequentes. Quando apontada para o alto e atingindo uma aeronave, a luz pode provocar uma cegueira momentânea no piloto, prejudicando o andamento do voo, seja em que fase estiver. De fevereiro até ontem, segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), foram 1.371 queixas registradas. O Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, lidera o ranking dos registros em aeroportos com 101 ocorrências, seguido por Belo Horizonte, com 93.

Segundo o investigador do Cenipa Major Aviador Márcio Vieira de Mattos, as ocorrências são muitas e podem ser evitadas. “Às vezes, a pessoa não percebe o grau de periculosidade que um raio laser pode trazer. Mas a luz prejudica não somente quem está em terra e recebe a luminosidade nos olhos, como também, pode tirar a visão do piloto. A fonte emissora dos raios está mais potente, por isso pedimos mais precaução, principalmente das crianças para que evitem apontar o laser para o alto”, recomenda.

A facilidade para adquirir o raio laser é grande. O brinquedo, pode ser encontrado em qualquer loja de miudezas importadas e é vendido sem qualquer restrição ou limite de idade. No DF, o mais simples pode ser encontrado por R$ 15 e os mais sofisticados podem chegar a R$ 30 ou mais. Em estádios de futebol, há torcedores que usam o aparelho para ‘cegar’ o juiz e jogadores em alguns  momentos da partida. 

Geralmente, o objeto emissor de luz é um recurso utilizado por palestrantes para apontar detalhes em projeções e apresentações de trabalhos ou estudos. Mas, nos últimos anos, tornaram-se um brinquedo popular.

Incidentes

No Brasil, não há registros de queda ou acidentes com aeronaves devido a feixes de luz de raios laser. Porém, no DF, já houve um caso que por pouco não termina de forma trágica. “Uma aeronave se preparava para pousar e cancelou a aproximação porque a visão do piloto foi comprometida. Ele teve que arremeter a aeronave e, só depois de recuperar a visão, pousou”, conta o major aviador Marcio Vieira de Mattos.

 
Os pilotos também reclamam da série de incidentes com laser. O comandante Almir Fernandes afirma que já enfrentou problemas com a luminosidade e alerta para que os praticantes da brincadeira tenham mais precaução. “O problema é maior no momento do pouso, quando a atenção – que já não é pouca – tem que ser redobrada. Esse tipo de brincadeira não tem graça e deve ser evitada”, afirma.

 
Dos casos registrados no DF, Ceilândia é a região com maior número de ocorrências. Com 35 casos, a região lidera isoladamente em relação as demais cidades.

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