Marina Marquez
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Qualidade, rapidez e eficiência. Esse é o transporte público que o secretário de Transportes do Distrito Federal, José Walter Vasques Filho, quer entregar para a população em quatro anos. Os desafios são muitos. Ainda no primeiro semestre de governo ele pretende retomar o controle da bilhetagem eletrônica e da câmara de compensação de lucros, hoje na mão dos empresários. “Só com esses dois instrumentos com o governo é possível ter um diagnóstico geral da situação e saber se a passagem está cara”, argumenta. Até retomar esse controle, que não será fácil, José Walter garante que não haverá qualquer reajuste de passagem no DF.
Na secretaria há duas semanas, ele se prepara para entregar ao governador e à Câmara Legislativa do DF, até o fim de março, um Plano Diretor do Transporte da capital federal. No projeto, estarão traçadas as prioridades da pasta para os próximos quatro anos e as projeções para daqui a 50 anos. “Não dá mais para pensar o transporte público coletivo em curto prazo. Nem tão pouco é possível pensá-lo se não for de forma integrada. E é isso que vamos fazer com a Linha Verde, Linha Amarela, expansão do metrô e entrega do VLT até o início da Asa Norte”.
O secretário é economista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Gestão de Negócios na Companhia de Saneamento e Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) e presidente da Companhia Energética de Goiás (Celg). Entre suas propostas também está a instalação de GPS em toda a frota do DF e a construção de uma ponte no Lago Norte.
Quais os problemas encontrados pelo senhor ao assumir a pasta?
Primeiro problema que encontramos é a ausência do Estado naquilo que é mais importante, a gestão do transporte público, a fiscalização e, principalmente, a bilhetagem eletrônica e a compensação de receitas. Essas atividades nós acreditamos que são típicas de Estado. A operação, a manutenção dos ônibus e linhas, isso é atividade empresarial e em nenhum momento a secretaria está pensando em retomar isso. Pelo contrário, a ideia é incentivar para que cada vez mais bons empresários possam explorar o transporte coletivo no DF.
E como o senhor pretende fazer essa retomada dos serviços de bilhetagem e compensação, hoje feitos pelos empresários?
Primeiro essa retomada precisa ser negociada. Você não pode fazer uma retomada de forma abrupta de um serviço que hoje está na mão da Fácil-DF, sob pena de ter paralisação total no sistema de transporte urbano. Então precisamos desenvolver, negociar com os empresários, ver os investimentos que eles já fizeram. Não é nada de um dia para o outro. Temos que ter software, investimentos em um raio muito grande. Pelo que entendi, eles investiram algo em torno de R$ 20 milhões.
A Secretaria de Transporte tem hoje alguma planilha de gastos, custos, funcionamento geral da pasta?
Hoje não temos a fonte primária dos dados relativos a volume de passageiros, fluxo de passageiros. E esse tipo de coisa dificulta muito termos uma planilha de custos confiável. E outra coisa, é inadmissível que na capital da República a fiscalização do transporte coletivo não seja feita por GPS. Hoje, carros privados têm GPS, empresas médias, com frota pequena, já usam o GPS para controlar a atividade de seus motoristas. Como é hoje, teríamos que ter um fiscal em cada ônibus ou um fiscal em cada parada para funcionar, o que é completamente inviável em termos econômicos e termos tecnológicos. O DFTrans tem que se equipar, mas tem que também usar a tecnologia disponível, hoje a custo muito acessível. É muito fácil e esse tipo de controle levaria a uma melhora na qualidade do serviço. Hoje as operadoras atrasam mais de um terço das viagens, isso é inadmissível. É preciso ter o controle do Estado para penalizar.
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