Luís Augusto Gomes
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Sete pessoas, entre elas um adolescente de 15 anos, suspeitas de envolvimento na morte do agente federal Wilton Tapajós Macedo, de 54 anos, foram detidas pela Polícia Federal com apoio da Polícia Militar. A confirmação foi feita ontem, na Superintendência da PF, no Setor Policial Sul. A vítima morreu no último dia 17, no cemitério Campo da Esperança, enquanto visitava o túmulo dos pais.
As prisões e mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades goianas de Novo Gama, Cidade Ocidental e Valparaíso, ambas na Região Metropolitana do DF, e também em Santa Maria e em Barreiras (BA). Dos sete, três participaram efetivamente da morte do policial. Os suspeitos fazem parte de uma organização criminosa especializada em roubo de carros que agia no cemitério, em todo o DF e municípios vizinhos. A quadrilha também tem ramificações em Barreiras, para onde o Gol branco roubado foi levado no dia seguinte ao crime, e supostamente vendido a um candidato a vereador por R$ 5 mil.
Abordagem
A polícia esclareceu como foi a abordagem dos criminosos. Tapajós foi surpreendido por dois ladrões, que anunciaram o assalto, enquanto um terceiro ficou no carro, um Siena azul. Pediram a chave do Gol e mandaram a vítima deitar no chão. A PF avalia que os homens viram a arma do policial e, por isso, o mataram com dois tiros na cabeça, disparados à queima-roupa.
A arma da vítima e a carteira com documentos, dinheiro e cartões não foram roubadas. Os três envolvidos disseram que queriam roubar o carro, mas o policial teria esboçado reação. Eles costumavam assaltar pessoas no cemitério, diz a polícia.
Após o crime, o trio fugiu para a Cidade Ocidental. Os sinais identificadores do Gol foram adulterados, e mesmo avaliado em R$ 28 mil, o carro foi vendido a um receptador por R$ 1,5 mil. O homem ateou fogo nos pertences da vítima e levou o veículo para a Bahia, onde o revendeu por R$ 5 mil. A PF apreendeu o veículo fazendo propaganda para o candidato, estampado com adesivos. Os federais investigam o possível envolvimento do político com a quadrilha. Questionado, o candidato negou ser o dono do carro. Disse que conhece dois dos homens presos, mas não tem vínculo com eles.
O delegado Alessandro Moretti, responsável pelo caso batizado como Operação Limite, afirmou ter certeza de que os autores não sabiam que se tratava de um policial.
O delegado afirma também que a PF tem “99% de convicção” de que o crime não teve ligação com a atividade profissional de Tapajós. O agente trabalhou na Operação Monte Carlo, que prendeu o bicheiro Carlinhos Cachoeira, combate ao tráfico de droga, combate à pedofilia e proteção a testemunha.
O bando começou a ser identificado a partir da prisão de dois suspeitos de envolvimento em um assassinato, em Santa Maria, conforme noticiou o Jornal de Brasília com exclusividade. Um dos homens denunciou um comparsa. A PF o identificou e pediu a prisão temporária do autor dos tiros que matou o federal.