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Brasília

"Quebra-cabeça" do assassinato de Wilton Tapajós está montado

Arquivo Geral

16/08/2012 7h30

Luís Augusto Gomes
luisaugusto@jornaldebrasilia.com.br

 

Sete pessoas, entre elas um adolescente de 15 anos, suspeitas de envolvimento na morte do agente federal Wilton Tapajós Macedo, de 54 anos, foram detidas pela Polícia Federal com apoio da Polícia Militar. A confirmação foi feita ontem, na Superintendência da PF, no Setor Policial Sul.   A vítima morreu no último dia 17, no cemitério Campo da Esperança,  enquanto visitava o túmulo dos pais.

 

As prisões  e mandados de busca e apreensão  foram cumpridos nas cidades goianas de Novo Gama,   Cidade Ocidental e  Valparaíso, ambas na Região Metropolitana do DF, e também em Santa Maria    e em Barreiras (BA). Dos sete, três participaram efetivamente da morte do policial. Os  suspeitos fazem parte de uma organização criminosa  especializada em roubo de carros que agia no cemitério, em todo o DF e  municípios vizinhos. A quadrilha também    tem ramificações em  Barreiras,  para onde o Gol branco roubado  foi levado no dia seguinte ao crime, e supostamente vendido a um candidato a vereador por R$ 5 mil. 

 

Abordagem

A polícia esclareceu como foi a abordagem dos criminosos. Tapajós  foi surpreendido  por dois ladrões, que anunciaram o assalto,  enquanto um terceiro ficou no carro, um Siena azul. Pediram a chave do Gol  e mandaram a vítima  deitar no chão. A PF avalia que os homens viram  a arma do policial e, por isso, o mataram com dois tiros na cabeça,  disparados à queima-roupa.

 

A arma da vítima   e a carteira  com documentos, dinheiro e cartões não foram roubadas.  Os três envolvidos disseram que queriam roubar o carro, mas o policial teria esboçado reação. Eles costumavam assaltar pessoas no cemitério, diz a polícia.

 

Após o crime,  o trio fugiu para a Cidade Ocidental.  Os sinais identificadores do Gol foram adulterados, e mesmo avaliado em R$ 28 mil, o carro foi vendido a um receptador por R$ 1,5 mil. O homem  ateou fogo nos pertences da vítima e levou o veículo para a Bahia, onde o revendeu por R$ 5 mil. A PF apreendeu o veículo fazendo propaganda para o candidato, estampado com adesivos. Os federais investigam o possível envolvimento do político  com a quadrilha. Questionado, o candidato negou ser o dono do carro. Disse que conhece dois dos homens presos, mas não tem vínculo com eles.

 

O delegado Alessandro Moretti, responsável pelo caso batizado como Operação  Limite, afirmou ter certeza de que os autores  não sabiam que se tratava de um policial.

 

O delegado afirma também que a PF tem  “99% de convicção” de  que o crime não teve ligação com a atividade profissional de Tapajós.  O agente trabalhou na Operação Monte Carlo, que prendeu o bicheiro  Carlinhos Cachoeira,  combate ao tráfico de droga, combate à pedofilia e proteção a testemunha.

 

O bando começou a ser identificado a partir da prisão de dois suspeitos de envolvimento em um assassinato, em Santa Maria, conforme noticiou o Jornal de Brasília com exclusividade.  Um dos homens denunciou um comparsa. A PF o identificou e pediu a prisão temporária do autor dos tiros que matou o federal.

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