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Brasília

"Pagamento da URP tem fundamento legal", diz reitor da UnB

Arquivo Geral

15/09/2010 21h31

Nesta quinta-feira, 16 de setembro, os funcionários técnico-administrativos da UnB farão protesto em frente ao Supremo Tribunal Federal, pedindo o julgamento da liminar sobre pagamento da URP. A expectativa é que eles sejam recebidos pela ministra Cármen Lúcia, relatora do processo.

Em reunião com funcionários, o reitor José Geraldo de Sousa Junior afirmou apoio ao movimento e disse que defende o pagamento da URP a eles, da mesma forma que os professores continuam recebendo. Na entrevista a seguir, o reitor falou sobre as perspectivas para a luta dos funcionários, que perderam desde junho 26,05% dos salários.

UnB Agência: O senhor sugeriu que sejam realizadas ações coordenadas na luta pela URP. Como isso pode ser feito?
José Geraldo: Desde o início tenho mantido reuniões com autoridades do Executivo e do Judiciário. Enviei ofícios nesse sentido para a Advocacia-Geral da União e para o Ministério do Planejamento. Foi uma ação contínua. Participei de audiências e reuniões buscando pontos em comum que pudessem ir de encontro a isso. Sempre reivindiquei que tivéssemos essa postura cooperativa. Mas para isso, é preciso ter confiança no que o outro exerce.

UnB Agência: Alguns grevistas sugeriram que os efeitos da liminar que  garante o pagamento integral da URP a uma servidora fossem extendidos a todos.
José Geraldo: O movimento sindical atua por meio de ações e atos de protesto, que são características dos sindicatos. Eu, como reitor, como instituição pública, devo obedecer a uma série de protocolos e regras. Eu e o movimento sindical partilhamos do mesmo entendimento, de que o direito à URP tem um fundamento legal, podemos conjugar esforços em razão dessa causa. Cada um no seu âmbito, fazendo o que é possível. Ressaltei o que pode acontecer à UnB caso deixe de tomar medidas com precaução e cuidado, sempre de acordo com a legislação. Acredito que os grevistas sabem que isso não pode ser feito, até pela história recente de problemas administrativos e judiciais na UnB.

UnB Agência: Durante a reunião, o senhor disse que o Supremo pode estar adiando o julgamento por não aceitar pressões. O que o movimento deve fazer?
José Geraldo: Os técnico-administrativos estão em uma situação complicada. É muito difícil se conformar com a constatação da perda da URP. No centro da revolta há sempre um sentimento de injustiça. Eu compreendo isso. O sentimento de injustiça libera revolta e a revolta impede a racionalidade, como lembra Albert Camus. Apesar disso, a universidade se mantém funcionando graças a eles também. Eles acataram a decisão da Justiça que pedia o retorno de serviços essenciais. Muitos servidores, mesmo em greve, tem trabalhado para cumprir essa decisão e não comprometer a universidade.

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