Rayane Fernandes
Especial para o Jornal de Brasília
A construção de um quiosque em um estacionamento da QNH 6/7, em frente à Feira dos Goianos, em Taguatinga Norte, está tirando a paciência dos moradores. A reclamação é de que, além de ocupar as vagas para carros, o quiosque poderá comprometer a segurança da região. Para a comunidade, no local deveria ser construído, na verdade, um posto policial.
Os moradores afirmaram que já buscaram ajuda na Administração Regional de Taguatinga, mas ainda não tiveram resposta. Então, para tentar resolver o problema, a comunidade decidiu fazer um abaixo-assinado, que já conta com cerca de 200 assinaturas. Segundo os moradores, o próximo passo é encaminhar o documento para o Ministério Público.
Segurança
A população local está revoltada, principalmente, porque fez o pedido de construção de um posto policial no local há dois anos e este foi negado. “A área não foi liberada com a alegação de que não caberia um posto policial aqui. Mas, para a nossa surpresa, um quiosque está sendo construído e ninguém faz nada. Isso é muito desagradável”, observou o presidente da Associação dos Moradores do Setor QNH, Vicente de Paula. “De qualquer forma, ainda não desistimos do posto”, frisou.
Segundo a moradora Diomar Rodrigues, o local é perigoso e a construção de um posto policial é fundamental para melhorar essa questão. “Quem passa por aqui à noite não vê outra coisa senão pessoas usando drogas. Meu filho mesmo foi assaltado aqui há menos de um mês. Outro dia, foi um tiroteio que nos assustou”, afirmou.
Dor de cabeça
Para Diomar, a construção desse quiosque só vai levar mais dor de cabeça à comunidade. “Tenho certeza que vai ter festa até tarde, vai ter gente bebendo e fazendo bagunça. É capaz até de aumentar a violência aqui”, acredita.
Pode ou não pode
A moradora do setor questiona: “Não podem fazer um posto policial, mas um quiosque pode?”. Para ela, a comunidade do local não precisa de bagunça, mas, sim, de mais segurança.
Menos espaço
Segundo os moradores, a região já sofre com a falta de estacionamento, por conta da grande demanda do local. De acordo com o presidente da associação dos moradores do setor QNH, Vicente de Paula, com a construção do quiosque, a situação fica ainda pior. “Os moradores é que sofrem, porque quem vai para as feiras estaciona na frente das residências”, diz. “Não somos contra a construção do quiosque. Somos contra o local onde está sendo construído”, comentou.
Versão Oficial
A Administração Regional de Taguatinga disse que entrou em contato com a Coordenadoria das Cidades, da Casa Civil, responsável por autorizar o funcionamento de feiras, quiosques e ambulantes, e que esta irá averiguar se o quiosque é regular ou não. Caso seja irregular, a Agência de Fiscalização do DF (Agefis) será acionada. Mas se tiver autorização, a coordenadoria vai escutar a população e estudar uma medida para que a mesma seja revogada.
Sobre a construção do posto policial, a administração disse não ter recebido nenhum pedido da população e aconselhou que o ideal é que a comunidade procure o 2º Batalhão da Polícia Militar.
Comerciante e escola prejudicados
O comerciante Evânio Bastos, que tem um quiosque ao lado do que está em construção, afirmou que já tentou autorização para aumentar o tamanho do empreendimento dele, mas ainda não conseguiu. “Como uma pessoa que chegou do nada consegue fazer um quiosque desse tamanho e eu, que estou aqui há 20 anos, não consigo?”, indagou.
“Eu luto para ter a chance de melhorar o meu negócio, para construir um quiosque mais decente, mas aí chega alguém e consegue bem mais rápido que eu. O pior é que ainda é na área do estacionamento”, completou. No local, não há nada que identifique quem seja o responsável pelo quiosque e pelas obras.
Demanda
Para os moradores, a prioridade para estacionar é de quem trabalha na Escola Classe 12, que fica ao lado do estacionamento, e para as pessoas que vão à Feira dos Goianos. “O estacionamento foi construído mais para atender a escola. A construção do quiosque vai acabar atrapalhando o pessoal do colégio”, disse o assistente administrativo Cícero Gonçalves. “É o único estacionamento que tem aqui”, completou.