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Brasília

‘Quero olhar nos olhos dele’, diz paciente do médico Wesley Murakami

Arquivo Geral

21/12/2018 13h37

Alexandre Garzon foi uma das vítimas do médico. Foto: Raphaela Sconetto/Jornal de Brasília

Da Redação
redacao@grupojbr.com

A prisão de Wesley Murakami, acusado de deformar rostos de dezenas de pacientes no DF e em Goiás, causou sensação de justiça em Alexandre Garzon. O empresário de 35 anos é uma das vítimas de procedimentos malsucedidos do médico, que foi  detido na manhã desta sexta-feira (21), em Goiânia. Ele foi preso junto com a mãe e foram trazidos para Brasília.

“Estou aqui para vê-lo. Quero muito olhar nos olhos dele”, disse Garzon, que esteve no Departamento de Polícia Especializada (DPE) esta tarde, para onde Murakami foi levado. “A sensação é de justiça após tantos anos. Acho que agora vão aparecer mais pessoas denunciando”, completou o empresário.

Policiais da Coordenação de Repressão a Crimes contra o Consumidor, Ordem Tributária e Fraudes (Corf/PCDF) foram até Goiânia pra prender o médico. Além dele e da mãe, uma funcionária também foi presa. Os agentes ainda cumpriram cinco mandados de busca e apreenderam diversos materiais entre medicamentos, prontuários e computadores. As prisões são temporárias. 

Leia também: Usado em bioplastias, PMMA é barato e legalizado, mas pode trazer riscos

Denúncias

No começo do mês, o Jornal de Brasília informou as denúncias de mais de 40 pacientes de Wesley Murakami. Entre eles, Alexandre Garzon. Depois de dois anos, o empresário finalmente consegue se olhar no espelho. Apesar de as marcas ainda estarem em seu rosto, elas não lhe causam mais dor, culpa ou raiva.

Tudo começou em 2012, quando comprou dez sessões de carboxiterapia capilar – tratamento para crescer os fios – em um site de promoções. Ao chegar à clínica de Murakami, localizada no Taguatinga Shopping, outros procedimentos foram oferecidos a ele pelo médico.

Envolvido na conversa do profissional, o homem confiou nos diagnósticos e resolveu fazer a bioplastia facial. No dia seguinte à consulta, 11 de abril de 2014, Alexandre voltou ao consultório e fez o procedimento. Segundo o paciente, na mesma hora o rosto inchou e ficou deformado. Para ir embora, precisou de máscara para tapar a face.

Alexandre Garzon foi um dos pacientes do médico Wesley Murakami. Foto: Raianne Cordeiro/Jornal de Brasília

Após os seis anos e tratamentos com corticoide para reparar o erro, o empresário reconhece que seu rosto nunca mais será o mesmo. O queixo e a mandíbula, que antes eram finos, agora seguem o padrão retangular. Para minimizar o efeito, Alexandre prefere deixar a barba crescer. Na pele, quando apertada, é possível sentir as bolas de plástico formadas pelo PMMA.

O Jornal de Brasília chegou a marcar uma consulta com Murakami e gravou o atendimento. Para Garzon, a reportagem foi essencial. “A sua gravação no consultório foi a melhor coisa do mundo porque mostrou claramente o que ele faz”, contou. Além de pagar por procedimentos reparadores, o empresário entrou na Justiça por danos morais e estéticos. Ele ganhou a causa, mas até hoje nunca recebeu os valores devidos.

Fique de Olho

Vai fazer uma cirurgia ou procedimento?
Saiba o que pesquisar

Consulte o registro do médico no CRM e verifique suas especialidades. O site é http://www.crmdf.org.br.

No caso de cirurgiões plásticos, o paciente pode consultar o site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e verificar o registro de especialidade do profissional. Tudo está no site www.cirurgiaplastica.org.br.

Procure indicações de pessoas reais que já fizeram o procedimento. Se possível, converse com algumas delas.

Procure indicações por médicos da família ou conhecidos que mostrem o que deve ser pesquisado.

Cheque na internet se há reclamações ou denúncias relacionadas ao profissional.

 

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