Brasília

“Queremos a flexibilização de outros setores na próxima semana”, diz novo presidente da Fecomércio-DF sobre lockdown

“A palavra principal é diálogo”, diz novo presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido em entrevista ao Jornal de Brasília

Cezar Camilo
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O novo presidente da Federação do Comércio do Distrito Federal (Fecomércio-DF), José Aparecido da Costa Freire, 55 anos, conversou com o Jornal de Brasília, nesta sexta-feira (5), após ganhar a eleição realizada pela diretoria da associação a fim de substituir Francisco Maia, morto no dia 17 de fevereiro depois de enfrentar as complicações geradas pela Covid-19.

O empresário do setor de papelarias e materiais para escritório ganhou de Ovídio Maia, presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais do DF (Secovi), com uma diferença de 5 votos entre eles: foram 11 cédulas para Ovídio e outras 16 com o nome do vencedor.

Apesar da disputa acirrada, Aparecido relata um clima de cordialidade na disputa. Também atentou para a situação atípica da atual vacância na presidência da instituição, após a morte do presidente, mais uma vítima da pandemia.

Aparecido, há 22 anos na representatividade dos setores produtivos, defende a negociação entre o empresariado e o Governo do Distrito Federal (GDF) na “busca por alternativas rápidas” para a crise econômica que assola a capital durante a pandemia do novo coronavírus.

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Em 17 de janeiro, o presidente Francisco Maia foi entubado e morreu no mesmo dia do mês seguinte. Automaticamente, o vice-presidente Edson de Castro assume interinamente.

Junto à substituição provisória, o presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), José Roberto Tadros, avocou uma gestão compartilhada do Serviço Social do Comércio (Sesc-DF) e Serviço Nacional do Comércio (Senac-DF), com prazo de 90 dias. Os dois braços mais importantes da Fecomércio-DF passaram a seguir as diretrizes nacionais na tomada de decisão até que outro presidente fosse escolhido para substituir Francisco Maia em definitivo.

Após a eleição de José Aparecido, o novo presidente reforçou o desejo de cancelar a gestão compartilhada, “não existe mais nenhum motivo para a administração continuar com eles”.

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Qual a palavra de ordem da nova gestão?

A principal palavra, bem curta, é diálogo. Muito diálogo com o governo, com o setor produtivo, ouvindo os sindicatos, buscando alternativas para que haja abertura gradativa. Queremos arrumar a casa, juntamente com o executivo do Governo do Distrito Federal, uma opção que seja boa para os dois lados.

Como o senhor avalia o cenário econômico de lockdown devido ao aumento de casos de Covid-19 na capital?

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Quando as empresas estavam começando a respirar, veio o lockdown. Em dois dias do decreto, o governador [Ibaneis Rocha] já deu algumas flexibilizações. O que ele nos disse foi que estudaria, diariamente, a situação do Distrito Federal para fazer novas aberturas. Me parece que nem o governo e muito menos o setor produtivo gostaria que houvesse uma situação de pandemia. Temos que ser inteligentes e buscar alternativas rápidas. Já houve a liberação de academias e escolas, esperamos conseguir flexibilizar outros setores durante a semana.

E as manifestações ?

Precisamos defender o setor produtivo, mas com sabedoria. Há muita necessidade de cuidados. Tivemos uma manifestação na frente da casa do governador, não quebraram nada, sem violência. Ser ouvido é a única coisa que o setor produtivo buscou naquele protesto pacífico. Quando o governador coloca um decreto, ele vem com um sabor muito amargo. O governador ouviu. Assim que fui eleito, ele me ligou, me conhece, sabe que sou uma pessoa de diálogo. Vamos continuar assim.

O senhor frisou no discurso de posse a devolução da gestão regional do SESC e SENAC para a Fecomércio-DF. Hoje quem assume a gerência é o Conselho Nacional de Comércio (CNC). Há alguma ameaça sobre esse controle da federação?

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Inicialmente, é uma administração compartilhada com prazo de vigência de 90 dias, podendo ser prorrogada até o dobro do período. Foi feito todo um saneamento no sistema. Não há, aparentemente, mais nenhum motivo grave que mantenha essa avocação. Ela pode ser encerrada a qualquer momento. O orçamento da CNC é considerável, mas quem tem que administrar a regional do Distrito Federal é a Fecomércio. Vamos buscar o diálogo para conseguir trazer de volta os dois braços: SESC e SENADO. A CNC teve o cuidado extremo de nomear um presidente regional do conselho até que se resolvesse a questão eleitoral da federação [de substituição da presidência]. Isso já foi resolvido, não existe mais nenhum motivo para a administração continuar com eles.

Como decidiu concorrer à presidência da instituição?

Eu entrei no mundo sindical em 1998, no Sindicato das Papelarias, Comércio Varejista de Material de Escritório, Papelaria e Livraria (Sindipel-DF), do qual sou presidente hoje. No segundo mandato, sempre por unanimidade. Em 2001, eu entrei no conselho de representantes da Fecomércio. Como diretor, estou desde 2004, na vice-presidência. Fizemos bastante trabalho e procurei continuar a trajetória.

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O presidente interino da federação, Edson de Castro, declinou a candidatura e apoiou o senhor. Como foi esse processo até chegar aqui?

Após a morte de Francisco Maia [ex-presidente da Fecomércio], o vice Edson de Castro, que já estava interino, com muita pressão sobre ele, decidiu lançar a candidatura e eu estava o apoiando. Mas em um determinado momento, ele viu que não conseguiria seguir por questões particulares. Decidiu por retirar seu nome e me apoiar, tiveram três candidaturas registradas além da minha. Mas, depois de um tempo, ficou somente eu e Ovídio no pleito. Foi um trabalho junto à diretoria para conseguir esses votos que culminou com os 27 diretores comparecendo à urna. Uma coisa muito boa para a democracia. Marcamos para começar às 11h com previsão de término às 14h, mas não precisamos disso tudo. Às 11h30 estávamos apurando os votos.

Como é sua relação com o único concorrente, Ovídio Maia?

Eu e Ovídio Maia, meu atual 3ª vice-presidente, vamos continuar juntos até as próximas eleições, em 2022. Eu havia falado a ele que queria ganhar a disputa democraticamente, na urna. Quando os diretores votam maciçamente, como aconteceu, é inquestionável falar que ganhei assim.

Quais projetos estão na lista do novo mandato?

Os projetos que estávamos tocando estão adiantados. Um deles, que já vem desde a administração do Adelmir Santana [2004 a 2019], é a construção da sede do SESC no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Temos também o projeto de reforma da Faculdade Senac na 903 Sul, em estágio avançado. Tem outro, o SESC Orla, que é apenas um esboço, seria uma estrutura de serviços à sociedade que ficaria ao lado da ponte JK, mas ainda não tem nenhuma licitação. Agora que assumi a presidência, vou ficar ainda mais inteirado sobre os planejamentos.






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