Patrícia Fernandes
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Arborizar uma propriedade ou mesmo uma cidade não significa promover o plantio indiscriminado de árvores. O acompanhamento do crescimento e a tomada das devidas precauções são essenciais para evitar que acidentes graves ocorram. Os números mostram que não é bem isso que vem acontecendo com a capital federal. De acordo com dados do Centro Integrado de Atendimento e Despacho (Ciade) do Corpo de Bombeiros, o número de ocorrências de queda de árvores deste ano registrou aumento de 88% em relação ao mesmo período do ano passado. As fortes ventanias das últimas semanas turbinaram as ocorrências.
Em 2012, de janeiro até 12 de março, foram registradas 252 ocorrências. Já o mesmo período deste ano obteve 485 registros. Somado o balanço fechado de 2012 aos números deste ano, foram contabilizadas 1.766 quedas de árvores.
Os acidentes podem causar sérios riscos à população, além de grandes danos materiais. Foi o que aconteceu com o empresário André Lino, na QNN 40 de Ceilândia. Ele teve seu carro destruído na manhã de ontem, enquanto dirigia rumo ao trabalho. “Eram 7h quando eu estava fazendo o caminho de sempre, quando de repente a árvore caiu em cima do carro. A parte da frente ficou destruída e o galho da árvore entrou no radiador”, relata.
Segundo André, a sensação de quem passa por isso é de desespero. “Na hora, fiquei sem reação. Me vi ali com os meus funcionários no banco de trás, sem saber ao certo que atitude deveria tomar. Mas graças a Deus, a vida de todos foi preservada”, conta.
André relata que está sentindo na pele a sensação de desamparo. “Não sei como proceder. É triste pagar os impostos em dia, e na hora que preciso do apoio de algum órgão competente, não tenho. Essa árvore representa um risco a vidas”, declara. Ele afirma que após o acidente, nenhuma providência foi tomada. “Eles só retiraram a parte que atingiu o meu carro e estava na pista atrapalhando o trânsito. A outra parte ainda continua lá levando riscos aos motoristas”, alerta.
Segundo o empresário, caso não conte com o apoio do Estado, fazer o reparo do veículo vai custar caro. “Já fiz o orçamento em uma oficina e ficou em torno de R$ 3 mil. Não vai ser fácil arcar com tudo isso de uma hora para outra”, lamenta.
André afirma que não está confiante com o auxílio do Estado. “É claro que houve imprudência dos órgãos competentes. A árvore não estava podada. Mas confesso que me dá desânimo pensar no cansaço que vai ser correr atrás dos meus direitos”, considera.
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