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Brasília

Queda do viaduto: comerciantes ficam à mercê de decisões que empacaram

Arquivo Geral

23/03/2018 7h00

Atualizada 22/03/2018 23h14

Restaurantes Floresta e Nosso Lar eram tradicionais na região. Foto: Myke Sena

Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

A proposta de realocar os dois restaurantes destruídos na queda do viaduto no Eixão Sul soou bem, mas por enquanto ficou no discurso. Faz quase um mês que o Governo de Brasília propôs a reabertura em um espaço na Rodoviária do Plano Piloto. O problema é que, até hoje, ninguém sabe precisar sequer onde ficam essas lojas, tampouco data para a instalação. O anúncio inicial falava em uma semana.

Hoje, completam-se 45 dias de prejuízos. No entanto, os comerciantes não possuem qualquer possibilidade concreta para reabrir os negócios.

A preocupação da dona do restaurante Floresta, Maria de Jesus Miranda, é com os funcionários. “Quero recontratá-los. E essa (mudança para a Rodoviária) já é uma esperança, de voltar a trabalhar, de ter de volta os clientes e de trazer os funcionários”, afirma. “Tivemos de demiti-los com os acertos. Todos receberam seus direitos e os que podiam estão recebendo seguro desemprego e outros benefícios, mas se eles estivessem trabalhando seria melhor”, completa.

De acordo com Maria, a documentação necessária para a transferência foi entregue ao governo. “Estamos aguardando uma posição deles. Não vai ser num espaço como era o nosso restaurante, que tinha cerca de 900 m². Vai ser em um quiosque de 30 m² a 40 m², mas já é algo. A promessa é essa, vamos aguardar o posicionamento”, critica a empresária. Maria ainda não possui estimativa do prejuízo que o desabamento causou aos cofres do estabelecimento.

Para o dono do restaurante Nosso Lar, Luiz Carlos Moroni, as perdas ultrapassam as barreiras de valores. “É toda uma perspectiva de crescimento na Galeria dos Estados. Não penso só no lucro, é todo o ambiente que lá proporcionava. A Rodoviária tem um movimento grande, mas não conheço o público. Não estou atrás de super movimento”, argumenta.

Moroni chegou a empregar mais de 20 funcionários. Na época do desabamento, 11 pessoas trabalhavam no Nosso Lar. “Cheguei a atender 700 pessoas em um só almoço. Ultimamente o movimento estava mais fraco, porque muitos prédios saíram do Setor Bancário. Mas ainda continuava na expectativa de que iria melhorar”, pondera. “Não sei qual a intenção do governo, mas vi projetos que incluíam os nossos restaurantes na reforma. Da minha parte há interesse em retornar para a Galeria”, acrescenta. Assim como Maria, Moroni aguarda a tramitação da negociação para a transferência à Rodoviária.

O presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes e Similares de Brasília (Sindhobar), Jael Silva, afirma que, assim que houve o desabamento, a associação procurou os donos dos restaurantes para prestar esclarecimentos e sanar dúvidas, mas depois não recebeu nenhum contato.

O prejuízo com desabamento e o lucro diário dos estabelecimentos serão discutidos entre os donos e o governo. Em vez de entrar na Justiça comum, eles vão acionar uma câmara de conciliação no Tribunal de Justiça, e o pagamento será feito por reconhecimento de dívida, em vez de precatórios. O governo deve depositar o valor da indenização diretamente na conta dos proprietários. De acordo com os donos dos dois restaurantes, até o momento ainda não houve nenhuma audiência de conciliação.

Versão oficial

Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria da Casa Civil, Relações Institucionais e Sociais retornou o contato com a reportagem por telefone. A posição oficial é apenas de que o diálogo com donos dos restaurantes avançou. No entanto, o governo ainda não tem uma previsão de quando os comerciantes poderão reabrir na Rodoviária. A expectativa é de que as autoridades se reúnam na semana que vem para definir o espaço e como será feita a mudança.

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