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Quando a vacina a ser tomada importa

O futuro de Maria dos Remédios e de Francisco depende de qual vacina receberão

Por Catarina Lima 16/05/2021 5h24
Vacina CoronaVac no HUB. Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

Não apenas tomar vacina, mas qual vacina tomar é a preocupação legítima de alguns brasilienses, como os educadores Maria dos Remédios Rodrigues, de 45 anos, aprovada para cursar doutorado na Espanha e Francisco José da Silva, de 50, selecionado para pós-doutorado na Alemanha. Servidores da Secretaria de Educação, assim como os demais professores, eles deverão ser vacinados nos próximos dias, de acordo com o que informou recentemente o secretário de Saúde, Osnei Okumoto.

A preocupação no momento dos dois professores é com qual vacina serão imunizados. Como eles estão com viagem marcada para países da Europa, onde pessoas vacinadas com a CoronaVac ainda não podem entrar, qual vacina tomar passou a ser uma angústia.

O Parlamento Europeu aprovou, no dia 29 de abril, o Certificado Verde Digital, passaporte de vacinação que tem como objetivo facilitar a circulação entre os 27 países integrantes da União Europeia. Mas o ir e vir será permitido apenas para cidadãos imunizados com as vacinas aprovadas pela União Europeia de Medicamentos, que são a BioNTech/Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen. A chinesa CoronaVac, fora da lista até o momento, depende da decisão individual de cada país.

“Meu doutorado em educação é na cidade de Sevilha, na Espanha. Por enquanto as aulas estão acontecendo de forma remota, mas como lá já estão vacinadas pessoas de 18 anos, imagino que em breve as aulas presenciais voltarão. Além de querer tomar a vacina logo, fico apreensiva de tomar a CoronaVac e não poder viajar para a Espanha”. O único imunizante que atenderia as necessidades da educadora é o da Pfizer. Se tomar a AstraZeneca demorará muito para receber a segunda dose e certamente chegará à Europa depois de iniciadas as aulas presenciais. Se tomar a CoronaVac, não poderá viajar, caso a Espanha ainda não tenha aceitado a entrada no país de pessoas imunizadas com a vacina chinesa.

Além da vacina, a quarentena

A apreensão de Maria dos Remédios é a mesma de Francisco José. O também educador se prepara há anos para fazer o pós-doutorado na Alemanha. Só o idioma ele estudou durante sete anos, além de ter o projeto de pesquisa aprovado. Mas devido a forma severa de como a pandemia de coronavírus atingiu o Brasil, o governo alemão impôs restrições extras para que brasileiros entrem no país. Além de estar imunizado, o brasileiro que tiver a Alemanha como destino deverá apresentar teste de PCR realizado nas 72 horas anteriores ao embarque e cumprir uma quarentena de 15 dias em outro país. A Alemanha também não aceita até o momento pessoas vacinadas com o imunizante chinês da CoronaVac.

Francisco se prepara para chegar à Alemanha em setembro. “Tenho falado com o orientador da minha tese. Fico preocupado de as aulas começarem e eu não ter conseguido viajar, ou ser vacinado com a CoronaVac e ter minha entrada na Alemanha proibida”, disse Francisco. “Eu sou de origem muito humilde. Estudar no exterior é um sonho que estou realizando. Meu projeto foi aprovado com nota 10, quero muito cursar o doutorado”, destacou Maria dos Remédios.

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