
Uma menina de 11 anos morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória em decorrência de um choque elétrico. O incidente ocorreu por volta das 16h da última segunda-feira, na QNM 24 de Ceilândia. À policia, familiares contaram que a criança levou um choque enquanto jogava no celular, sentada no chão, com o aparelho conectado à tomada. De acordo com o Serviço Móvel de Urgência (Samu), pelo menos três casos de eletrocussão são registrados todos os meses no Distrito Federal.
De acordo com a Secretaria de Saúde, a menina foi encaminhada para o Hospital Regional de Ceilândia (HRC), onde foi imediatamente submetida a reanimação cardiopulmonar. Os médicos realizaram o procedimento durante uma hora e dez minutos, mas a garota não resistiu. Ainda segundo a pasta, a criança foi assistida por três pediatras, um clínico cirúrgico e uma clínica médica.
Conforme informações da Polícia Civil, a mãe da menina registrou um boletim de ocorrência na manhã de ontem. Ela afirmou que a filha utilizava uma extensão para carregar o aparelho celular e que, após o choque, foi prontamente socorrida pelo tio. A 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro) segue investigando o caso.
Cuidados indispensáveis
O caso evidencia a necessidade dos cuidados para prevenir acidentes. De acordo com Edson Martinho, diretor da Associação Brasileira de Conscientização para Perigos da Eletricidade (Abracopel), “qualquer falha pode fazer com que o carregador transfira uma corrente energética maior para o celular, causando choque ou superaquecimento no aparelho”, explica.
Segundo o especialista, o primeiro cuidado a ser tomado é a verificação da instalação elétrica local. “Uma revisão da rede interna da casa deve ocorrer, no mínimo, a cada cinco anos e ser feita por um profissional habilitado”, recomenda.
Infraestrutura
Martinho alerta que cada parte da infraestrutura é importante, não apenas os disjuntores e tomadas. “O correto dimensionamento dos fios, por exemplo, evita seu superaquecimento e a ocorrência de incêndios”, destaca. “A instalação da casa também deve ter um sistema de aterramento”, completa o diretor da Abracopel.
Adaptador e extensões não recomendados
Segundo Edson Martinho, diretor da Abracopel, a maioria dos incêndios em residências ocorre pela sobrecarga na instalação elétrica. De acordo com ele, um dos “vilões” é o adaptador de tomadas. “Evite usá-lo. Ele deveria ser uma solução provisória, mas as pessoas acabam deixando na tomada”, diz.
A mesma recomendação, destaca Marinho, vale para as extensões. “Qualquer adaptação é sempre um ponto possível de mau contato”, ressalta o especialista.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) relata que recebe, em média, três chamados de eletrocussão por mês, o que corresponde a 0,22% dos chamados. Em caso de choque, a vítima deve ser afastada do que está gerando a descarga elétrica.