Francisco Dutra
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Por pressa demais ou por falhas no planejamento, obras recém-inauguradas acabam dando dor de cabeça e sustos na população, em vez de trazer benefícios. Segundo o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Distrito Federal (Crea-DF), as obras não estão sendo entregues com a qualidade necessária. Um problema que pode incomodar ainda mais os brasilienses, pois especialistas temem que o afobamento para a inauguração da nova Estrada Parque Taguatinga (EPTG) gere uma obra monumental, mas também repleta de problemas monumentais.
Câmara Legislativa
Inaugurada há três meses, a nova sede da Câmara Legislativa surpreendeu os brasilienses quando um elevador desceu subitamente do quinto andar até o terceiro subsolo com duas funcionárias. Segundo servidores, o elevador teria despencado. Pelo DF, é fácil encontrar pistas novas com vários trechos esburacados. “O problema do DF e em todo o Brasil é a falta de um bom planejamento. Por isso, temos problemas nos contratos, nas execuções e até na fiscalização das obras. O que estamos vendo hoje são as peças de dominó caindo, uma atrás da outra”, diz o presidente do Crea-DF, Francisco Machado.
Além dos problemas de planejamento, a crise política no Distrito Federal atrapalhou o andar das obras candangas. Para o professor da Universidade de Brasília Dickran Berberian, especialista em patologia de estruturas e fundações e presidente da empresa Infrasolo, o hábito de concluir obras a “toque de caixa” é extremamente perigoso. “Obras feitas apressadamente têm muito mais chances de ser entregues com problemas. A EPTG mesmo. Com a pressa que estão tendo para concluir a obra, ela tem grandes chances de apresentar problemas. O asfalto pode acabar mal compactado. Se a pavimentação for concluída nas chuvas vai perder a eficiência. Se correrem com a execução da obra com as chuvas, a pista vai precisar de muita manutenção depois”, alerta Berberian.
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