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Brasília

Quadrilha vendia lotes que já tinham dono em Planaltina/GO

Arquivo Geral

23/08/2012 7h10

Kamila Farias
kamila.farias@jornaldebrasilia.com.br

 

Um problema existente há mais de 40 anos no Distrito Federal continua dando trabalho para a Justiça: a grilagem de terra. Dessa vez,   na Região Metropolitana do DF, em Planaltina de Goiás, onde lotes estavam sendo vendidos ilegalmente em uma região conhecida como Jardim Paquetá. Seis pessoas, entre advogados, policiais e um tabelião, foram presas pelas operações Paquetá e Terra Nostra, das polícias Civil e Militar goianas e do Ministério Público de Goiás, com apoio da Polícia Civil do DF. A grilagem é tema de uma série de reportagens do Jornal de Brasília iniciada ontem, que será publicada semanalmente.

Segundo a investigação, o cartório de Planaltina (GO) falsificava documentos para que a imobiliária Ciop vendesse imóveis que já tinham dono. Estima-se que a quadrilha  tenha arrecadado mais de R$ 10 milhões com a venda de cerca de dois mil lotes. Apenas ontem, dez pessoas fizeram denúncia sobre a situação, além de outras 15 que desencadearam  as operações.

A doméstica Maria Solene Pereira é uma das vítimas. Segundo ela, seu lote foi comprado há 20 anos, mas há um ano, o espaço foi vendido para outra pessoa, sem   autorização.  “Ainda não estava usando o lote, estávamos pensando no que construir. Um dia, fui lá mostrar a um amigo e o lote estava cercado. Expulsaram-me, dizendo que tinha outro dono. Tenho toda a documentação que prova que é meu. Estou desesperada”, desabafa. Na época, o lote foi comprado por R$ 1,6 mil e, hoje, estão pedindo R$ 30 mil.

De acordo com o promotor do Ministério Público de Goiás, Rafael Simoneti, participavam da quadrilha dois policiais militares: L. A. e J. G.. Com documentação falsa, a dupla fazia a retirada de quem estivesse no lote. Outro suspeito, B. E. é advogado  que prestava assessoria jurídica para a imobiliária, e  também assessor de uma desembargadora do TJDFT. A avó do assessor, Y. A. foi detida para prestar esclarecimentos, já que seu nome aparecia em vários documentos fraudados.

Também são suspeitos R. G., advogado e sócio da imobiliária; o filho do dono do cartório e sócio da imobiliária, F. M.;  o tabelião L. R. M.; e uma funcionária do cartório, provável laranja, M. J. S.

Com a quadrilha, foram encontrados R$ 11,5 mil em espécie e mais de R$ 100 mil em cheque. Quatro armas, munições, computadores, documentos e um carro de luxo estão entre as apreensões.

“Era um esquema muito bem organizado, que contava com participação de agentes públicos, com entendimento jurídico avançado. Eles agiam dentro do cartório e falsificam documentos públicos e particulares. Encontramos documentos, contratos, registros e procurações falsas que comprovam isso, além de lista de lotes que eles pretendiam invadir. E eles chamaram atenção devido à ostentação. O patrimônio cresceu de forma desproporcional e eles já estavam fazendo tudo às claras, sem preocupação”, afirma o promotor.

Segundo Simoneti, devido à falta de conhecimento de muitas vítimas, a quadrilha se aproveitava para fazer a retirada do lote. Para quem conseguia entender o esquema, eles ofereciam um lote em outro local, que também não era de posse deles.

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