Isa Stacciarini
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Há 33 anos, não ocorre licitação para concessão de táxi no DF. Especialistas no setor acreditam que essa realidade serve como terreno fértil para a proliferação de clonagens e outros tipos de adulteração. Era nesse ambiente que atuava uma quadrilha especializada em falsificar permissões. Após denúncia de um taxista regular, oito pessoas foram autuadas por policiais civis da 11ª Delegacia de Polícia (DP) do Núcleo Bandeirante. Entre os suspeitos, uma mulher que datilografava os documentos falsos e quatro taxistas que atuavam na falsificação de selos de vistoria, pintura das placas e adulteração de sinais identificadores dos veículos. Os veículos eram clonados. Outros três trabalhavam em uma gráfica.
O motorista A.L.R.R., 38 anos, foi preso em flagrante, no Setor Hoteleiro do Núcleo Bandeirante. Segundo o delegado-chefe da 11ª DP, João Carlos Lóssio, a Secretaria de Transportes foi acionada tendo constatada a irregularidade. “Foi realizada uma fiscalização pelo órgão e conseguimos chegar à quadrilha. Havia divisões de tarefas e o esquema funcionava há mais de um ano”, explica.
Os suspeitos maquiavam um carro particular como um táxi alugado a partir de uma permissão falsa. Depois, eram colocados os selos para os vidros, as faixas das portas, o taxímetro e a pintura das placas. Cada “kit clone” custava R$ 1,5 mil. As permissões falsas eram concedidas por R.A.F., 27 anos.
Segundo Lóssio, os suspeitos se cadastravam em cooperativas de taxis que não verificavam toda a documentação necessária. ”As cooperativas não têm uma cautela rigorosa para verificar toda a documentação”, aponta.
Segundo o delegado, as investigações apontam que existem mais de 100 veículos irregulares, sendo aproximadamente 60 na Radiotáxi Alvorada e 30 na Unitaxi. Os suspeitos confirmaram a participação no crime.
O gerente da Radiotáxi Alvorada, Wesley Taylor, disse que a empresa solicita todos os documentos originais e inclusive o nada consta criminal do motorista. O presidente da Unitáxi, Giovani Pinheiro, informou que a empresa está realizando um recadastramento dos funcionários e que serão rigorosos quanto à documentação. “Vamos começar a pedir nada consta criminal”, garante.