Menu
Brasília

Quadrilha usava o kit clone

Arquivo Geral

10/11/2012 10h30

Isa Stacciarini

isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br


Há 33 anos, não ocorre licitação para concessão de táxi no DF.  Especialistas no setor acreditam que essa realidade serve como terreno fértil para a proliferação de clonagens e outros tipos de adulteração. Era nesse ambiente que atuava uma quadrilha especializada em falsificar permissões. Após denúncia de um taxista regular, oito pessoas foram autuadas por policiais civis da 11ª Delegacia de Polícia (DP) do Núcleo Bandeirante. Entre os suspeitos, uma mulher que datilografava os documentos falsos e quatro taxistas que atuavam na falsificação de selos de vistoria, pintura das placas e adulteração de sinais identificadores dos veículos. Os veículos eram clonados. Outros três trabalhavam em uma gráfica.  

 

O motorista A.L.R.R., 38 anos, foi preso em flagrante, no Setor Hoteleiro do Núcleo Bandeirante.  Segundo o delegado-chefe da 11ª DP, João Carlos Lóssio, a Secretaria de Transportes foi acionada tendo constatada a irregularidade. “Foi realizada uma fiscalização pelo órgão e conseguimos chegar à quadrilha. Havia divisões de tarefas e o esquema funcionava há mais de um ano”, explica.

 

Os suspeitos maquiavam um carro particular como um táxi alugado a partir de uma permissão falsa. Depois, eram colocados os selos para os vidros, as faixas das portas, o taxímetro e a pintura das placas. Cada “kit clone” custava R$ 1,5 mil. As permissões falsas eram concedidas por  R.A.F., 27 anos. 

 

Segundo Lóssio, os suspeitos se cadastravam em cooperativas de taxis que não verificavam toda a documentação necessária. ”As cooperativas não têm uma cautela rigorosa para verificar toda a documentação”, aponta.

 

Segundo o delegado, as investigações apontam que existem mais de 100 veículos irregulares, sendo aproximadamente 60 na Radiotáxi Alvorada e 30 na Unitaxi. Os suspeitos confirmaram a participação no crime. 

 

O gerente da Radiotáxi Alvorada, Wesley Taylor, disse que a empresa  solicita todos os documentos originais e inclusive o nada consta criminal do motorista. O presidente da Unitáxi, Giovani Pinheiro, informou que a empresa está realizando um recadastramento dos funcionários e que serão rigorosos quanto à documentação. “Vamos começar a pedir nada consta criminal”, garante.

  

Fiscalização é considerada ineficaz
 
A Secretaria de Transporte afirma que a última concessão de permissão para taxistas ocorreu em 1979. Atualmente, existem no DF 3,4 mil permissionários e a pasta está concluindo o processo de licitação – a promessa era para acontecer até este ano – para expansão de 646 novas permissões. O subsecretário de Políticas de Transporte do órgão, Luiz Messina, garante que até o fim deste ano será finalizada a fase de edital para a licitação.
 
  
“Estaremos ampliando a permissão obedecendo a atual legislação constitucional. Até o início de 2013, o processo estará na praça”, ressalta.
 
  
Sobre a quadrilha que falsificava permissões, Messina aponta que a secretaria está expandindo a fiscalização a partir da admissão de novos fiscais. Hoje, são 26 funcionários que atuam no serviço público. “A nossa intenção é ampliar o número de fiscais. Vamos investir em uma logística para melhor as condições de autuação”, destaca.
 
 
A presidente do Sindicato dos Permissionários de Táxi e Motoristas Auxiliares do Distrito Federal (Sinpetaxi), Maria do Bonfim, afirma que do total dos permissionários, 5% são veículos clonados. Ela informou que o sindicato, em conjunto com a Polícia Militar do DF (PMDF), tem identificado de dois a três veículos mensais atuando irregularmente apenas no Aeroporto Internacional de Brasília.
 
 
“É um número alto devido à ausência de fiscalização que é quase mínima. A polícia deveria abordar esses veículos à noite, pois é o período que eles mais atuam”, disse. 
  
 
Pense Nisso

Enquanto se discute sobre a concessão de permissões para novos táxis, a população usuária desse transporte fica exposta aos riscos. Afinal, está completamente à mercê de quem supostamente está cometendo crimes.
 
 
Especialistas explicam que quanto mais tempo é gasto para solucionar a questão das permissões, mais os falsários e clonadores encontram campo aberto para praticar os atos criminosos. A história é semelhante aos piratas que transportam passageiros ilegamente. Como são precários os coletivos colocados à disposição da população, ela se vê praticamente obrigada a se valer do que é oferecido clandestinamente.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado