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Brasília

Publicamos no livro ‘O melhor do fotojornalismo brasileiro’. O que isso significa?

Arquivo Geral

09/01/2019 15h25

Da Redação
redacao@grupojbr.com

O Jornal de Brasília está entre 185 fotos de 120 profissionais que compõem a 10ª edição do O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro. A publicação é do fotojornalista Myke Sena, que estampou a capa do diário em 21 de novembro de 2017. Entre trancos e barrancos, o último lançamento do livro que compila um pouco do que foi produzido e publicado quase não saiu. 

A foto feita pelo profissional do JBr. mostra submissão. Ao fundo, um painel estampa a palavra Justiça. À frente do então presidente Michel Temer, dois homens do alto escalão da segurança mantêm a cabeça baixa, como sinal de fragilidade. Aquele dia era a posse do diretor-geral da Polícia Federal Fernando Segovia, sob as asas do ministro da Justiça, Torquato Jardim. A fotografia tenta refletir a busca diária do profissional, de levar o leitor até o local e o momento do acontecimento.

Myke Sena/Jornal de Brasília

Myke Sena é um jovem fotógrafo de 24 anos que entrou no ramo do jornalismo ainda como estagiário, em 2014. “Sem dúvidas, a publicação é um respiro para a categoria. Especialmente na condição que foi lançado, o livro amplia o cenário de publicações, nos coloca como contadores de história e representa o protagonismo da profissão. É, também, uma valorização do trabalho diário feito dentro de um dos jornais tradicionais da capital do Brasil”, diz.

Resistência

Em dezembro de 2017, os participantes receberam um e-mail nada animador de Sérgio Branco, coordenador e editor da publicação. “Tentaremos completar em 2018 a décima edição de O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro”, dizia o texto, em tom quase melancólico.

A dificuldade de manter publicações impressas em jornais e revistas chegou à produção do livro que reúne o trabalho de centenas de fotógrafos anualmente. Sem patrocínio, foi preciso grande esforço para tirar do papel a obra que já é tradição no meio fotográfico. Pelo segundo ano consecutivo, sem apoio cultural, a produção foi feita aos poucos e a duas mãos –  demorou bem mais que o normal para ser concluído.

A 10ª edição reúne os trabalhos publicados em 2017 e foi lançada em dezembro de 2018. No Brasil, aquele foi o ano com a rebelião mais violenta da história na Penitenciária de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, quando 26 morreram. Foi também quando a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, ardeu em chamas. Na política, o ano que levou à prisão políticos brasileiros. No esporte, o Real Madrid bateu o Grêmio no Mundial de Clubes em Abu Dabi e o Corinthians conquistou o sétimo título de campeão nacional.

O futuro é um mistério. Não se sabe se, em 2019, as melhores fotos que circularam pelo Brasil e mundo no ano passado poderão ser catalogadas e valorizadas na forma de livro. No jornalismo, 2017 contabilizou 380 demissões de profissionais pelo Brasil, segundo a Volt Data Lab. No ano passado, foram 290. Diante do cenário de falta de patrocínios e incertezas, o que significa estar entre as 185 imagens selecionadas? Resistência.

Profissionais de imagens são linha de frente dos veículos de comunicação. Em visão macro, também podem ser os primeiros no quesito desvalorização. Na Era em que todo mundo tem uma câmera no bolso, acoplada a smartphones de novíssima geração, o repórter fotográfico parece ter papel banal.

A lição que fica é que, assim como nem todo alfabetizado é escritor, ter uma câmera fotográfica não torna ninguém fotojornalista. A profissão é muito além do que apertar botões e registrar acontecimentos. É contar, com linguagem visual, a história da humanidade.

Saiba mais 

Dentre todas as outras imagens da obra, outro destaque é a fotografia de Fábio Teixeira. Ele começou a carreira em 1998 e atua como fotojornalista e documentarista no Rio de Janeiro. A publicação mostra um agente do Batalhão de Operações Especiais conduzindo um suspeito de tráfico de drogas no Morro do Alemão (RJ), mas tem a complexidade da linguagem fotojornalística como profissão. Sozinha, ela choca, informa e promove o questionamento do leitor. Não está ali para simplesmente justificar o texto ao lado, que acompanha a publicação.

Fábio Teixeira

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