Renata Werneck
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A filha olhou a mãe nos olhos, se despediu e disse que elas sempre estariam juntas. A psicóloga Elisa Walleska Kruger tem essa convicção o tempo todo. Após perder a jovem Túlasi Nascimento, 29 anos, vítima de câncer no colo do útero, a mulher traduziu as emoções decorrentes da jornada em um livro. Eterna Túlasi será lançado às 19h de hoje no restaurante Mucho Gusto (309 Norte).
A obra tem a proposta de ajudar outras mães que passam por situações parecidas. “Por ser um tema delicado, a troca de informações é muito importante. Na página do Facebook (/livrotulasi), muitas mães começaram a se identificar com a história e tivemos uma boa repercussão”.
Túlasi trabalhava como advogada no Conselho Penitenciário do Rio de Janeiro e na Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil. Ao descobrir a doença causada pelo papilomavírus humano (HPV), a mãe ficou devastada. “Foi o pior dia da minha vida”, afirma. Ela se mudou para o Rio de Janeiro para acompanhar o tratamento. As duas criaram um blog para compartilhar com familiares a jornada pela qual passavam.
A filha faleceu após um ano e três meses de tratamentos químio e radioterápicos. Elisa também passou a fazer acompanhamento psicológico, que a ajudou a entender que amar é não receber nada em troca. “A gente aprende a viver com a perda física, mas nunca supera a falta de alguém. É como quem pede um membro: sempre faz falta, mas é importante ter a consciência daquela ausência”.
Ao lembrar da filha, a psicóloga diz sentir orgulho e vitória. Para ela, Túlasi foi exemplo de coragem ao optar pela sedação paliativa, usada para aliviar o sofrimento de pacientes terminais. Forte, otimista e guerreira foram as palavras usadas para descrevê-la.
O livro, que foi escrito entre dezembro de 2015 e fevereiro de 2016, é uma produção própria. A mãe revela que as editoras queriam alterar a história para torná-la rentável, mas, como esse não era o objetivo, decidiu fazer tudo por si só. “A publicação é um presente para Túlasi. Ela me deixou uma lista de coisas para fazer e é muito bom ter essa promessa cumprida”.
Em uma postagem do Facebook, Elisa fez agradecimentos à filha. “Um misto de exaustão, alívio e saudade me invade. Obrigada pela inspiração. E pela força que suas lembranças me proporcionaram quando fizestes a tua passagem e me tornei órfã de ti. Mas nos encontraremos. Num lugar onde só nós sabemos”.
A relação maternal era muito forte. Elisa comparou a amizade das duas com a série de televisão Gilmore Girls. Ela lembra da filha com alegria e agradece os 29 anos que passaram juntas.
Durante a produção do livro, a autora diz ter chorado, mas também dado risadas nos momentos que viveram juntas. “Quando a gente ama, é o amor que faz a diferença”, conclui.